Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 22/10/2017

O artigo V da constituição cidadã versa sobre o direito de ir e vir. No entanto, o brasileiro enfrenta desafios diários ao tentar exercer essa garantia, pois vive-se no país uma crise de locomoção ocasionada, entre outros aspectos, pela má gestão pública, o incentivo à compra de automóveis e a falta de planejamento urbanístico. Nesse sentido, encontrar caminhos para resolver esse problema se faz necessário.

A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se à questões administrativas e econômicas. Nesse contexto, sabe-se que o sistema de transportes públicos no país é precário devido a fatores como superlotação e sucateamento, o que desestimula o indivíduo a fazer uso desse serviço. Somado a isso, existe no modelo capitalista um forte desejo de comprar um automóvel e tal aspecto deve-se, em partes, ao incentivo às indústrias automobilísticas - promovidos, inicialmente, por JK - e ao aumento da oferta de crédito aos cidadãos. Como consequência, tem-se um trânsito caótico e prova disso é a capital paulista, onde o cidadão passa, em média, mais de duas horas no trânsito diariamente, segundo o IBOPE.

Outrossim, deve-se considerar a desvalorização do pedestre no urbanismo das grandes cidades. Tal conjuntura tem origem no espírito modernista, que abrangeu o futurismo e a valorização do automóvel. Destarte, o pedestre sente dificuldades ao tentar se locomover nas ruas do Brasil, devido a problemas como calçadas irregulares ou inexistentes. Ademais, a acessibilidade dos deficientes físicos também é precária, pois há falta de rampas e semáforos sonoros para deficientes visuais, presença de obstáculos nas calçadas, entre outros elementos que devem ser considerados no planejamento urbano.

Torna-se evidente, portanto, que transformações são necessárias para garantir a locomoção dos cidadãos. Considerando que as cidades são feitas - sobretudo - de pessoas,  as Secretarias Municipais de Infraestrutura, em conjunto com urbanistas especializados, devem elaborar e aplicar projetos que priorizem o pedestre, inclusive os portadores de deficiência, através da padronização e revitalização de espaços caminháveis, bem como suas adaptações para uma melhor acessibilidade. Deve também, a fim de desafogar o trânsito, seguir o exemplo de Fortaleza, cidade que duplicou sua extensão de ciclofaixas e faixas exclusivas para ônibus e obteve resultados positivos, como a diminuição de mortes no trânsito e o aumento da velocidade média dos veículos. Para que dessa forma, o direito constitucional de ir e vir seja garantido ao cidadão brasileiro.