Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 30/10/2017
Para frente
Na segunda metade do século XX no Brasil foi posto em prática o projeto desenvolvimentista do então presidente JK, 50 anos em 5. Tal projeto estimulou a indústria automobilística do país e tornou-o completamente dependente do sistema rodoviário. Nesse contexto, o Brasil atual reflete os desafios dessas ações como a frota gigantesca de carros e a falta de investimento em transporte público.
A quantidade incalculável de veículos particulares é sem dúvida um desafio para a mobilidade urbana das capitais brasileiras. Essa situação culmina no notório caos atual, o qual ocasiona congestionamentos intermináveis, poluição ambiental, devido a emissão de gases, e problemas respiratórios para a população. Além disso, não é raro as situações de atrasos no trabalho, perdas de consultas médicas ou de encontros, afetando não somente a saúde física dos brasileiros, mas também a vida pessoal. Desse modo, é simplismo investir em soluções efêmeras como rodízio de automóveis ou construções civis, é necessário soluções que surtam efeitos a longo prazo.
Outro desafio da mobilidade urbana nacional é, indubitavelmente, a falta de investimentos em transportes públicos. Esse descaso do poder público diverge com a carta magna dos Direitos Humanos que, em seu primeiro artigo, garante dignidade humana para todos os indivíduos. Tal direito não é posto em prática pois a espera do ônibus, em sua grande maioria, é extremamente longa, a frota é ineficiente e não atende toda população, principalmente a da periferia, e a qualidade é questionável. Essa realidade inaceitável comumente é matéria de reportagens que mostram a dificuldade do trabalhador ao fazer uso desse transporte, provando que o uso de serviços degradantes virou rotina. Logo, a falta de investimento nessa área, além de ferir a dignidade dos cidadães, fomenta o uso de carros particulares.
Por tudo isso, é imprescindível que todos os segmentos sociais unam-se visando a melhoria desse problema. Para tal, é necessário que as prefeituras, com apoio da União, invista essencialmente em transporte público com frota suficiente para diminuir as esperas, com qualidade e com menor potencial poluidor, como os metrôs, BRT e VLT para, dessa forma, estimular o uso de transporte público, diminuindo a frota de carros nas ruas e garantindo a dignidade do cidadão. Somado a essas medidas, cabe a sociedade promover manifestações para pressionar ações governamentais, a exemplo das citadas acima. Assim, poder público e coletividade impulsionariam o Brasil para frente.