Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/10/2017

Desde o início do século XX, com a mecanização do campo e a intensificação do êxodo rural, o Brasil tem sofrido com problemas relacionados à mobilidade urbana. Embora haja, por parte do governo municipal, a adoção de políticas sociais que buscam amenizar a dificuldade de locomoção, como o rodízio de placas em São Paulo, que restringe a circulação de alguns veículos em determinados dias, o problema ainda persiste, seja pela insuficiência de transportes públicos, ou pela ineficácia de algumas medidas tomadas.

Primeiramente, convém ressaltar que a quantidade de passageiros aumentou na última década, entretanto, segundo dados divulgados pela empresa São Paulo Transportes (SPTrans), a frota de ônibus, em 2017, registrou números menores que em 2006. Tal problema não se resume às grandes metrópoles, atingindo âmbito nacional. Consequentemente, há superlotação dos meios de locomoção públicos, causando desconforto, atrasos, além de contribuir para o crescimento do número de carros no país que, conforme dados divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), 140 mil foram registrados no mês de junho de 2017.

Por outro lado, algumas medidas que têm o intuito de dar fluidez ao trânsito, podem ocasionar o contrário, como, por exemplo, a criação e ampliação de vias. Na década de 90, a população do Rio de Janeiro foi prestigiada com a construção da Linha Amarela, que a um curto prazo amenizou o trânsito da cidade. Contudo, a medida fez com que muitos optassem pelo uso do automóvel privativo ao transporte coletivo, e hoje a via expressa é outro ponto de congestionamento do Rio.

Logo, a fim de atenuar o caos urbano gerado pela dificuldade de mobilidade, é necessário que, antes de mais nada, o governo municipal renove e amplie a frota de transportes públicos. Desse modo, torna-se possível, dado a melhora dos meios coletivos, o aumento e a adição de pedágios, além da adoção do rodízio de placas como em São Paulo, com o intuito de reduzir a quantidade de carros em circulação. Ademais, cabe à Secretaria Municipal de Planejamento, ao elaborar projetos de expansão ou construção de vias, realizar projeções do trânsito a um longo prazo, levando em conta o aumento da frota e do fluxo e verificar se é mesmo a melhor opção. Só assim, o direito de ir e vir será garantido com dignidade.