Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/10/2017

O êxodo rural é caracterizado pelo abandono do campo por seus trabalhadores em busca de melhores condições de vida. Esse processo se intensificou no Brasil durante a década de 1950, trazendo grandes contingentes populacionais para o meio urbano. Atualmente, fruto dessa migração, as cidades brasileiras enfrentam uma série de desafios na mobilidade urbana: explosão da frota de carros e precarização do transporte coletivo.

O primeiro aspecto é o grande número de carros. Os incentivos fiscais, como a redução do IPI concedida pelo Governo Federal, acarretaram no aumento da frota de veículos. Em São Paulo, por exemplo, os congestionamentos chegam à centena de quilômetros, prejudicando não apenas o fluir do trânsito, mas a qualidade de vida da população que ali trafega. Segundo pesquisa do Datafolha, o paulistano passa em média 45 dias por ano no trânsito. Para atenuar esse problema, a prefeitura deveria investir no transporte coletivo. Como cada grupo de cinquenta carros em circulação pode ser substituído por um único ônibus, assim, pode-se inferir o que pregou Aristóteles: a felicidade é alcançada pelo bem comum.

O segundo aspecto é o transporte coletivo. Devido ao cartel das empresas de ônibus, que impedem a entrada de novos concorrentes no setor, a qualidade do transporte coletivo (sobretudo do ônibus) ficam alheios aos interesses da população. Em “A Riqueza das Nações”, Adam Smith diz que o comerciante, movido por interesses egoístas, é levado por uma mão invisível à satisfazer o bem-estar da sociedade. Para isso, a prefeitura não pode ceder aos interesses dos empresários, que na sua busca por lucro, acabam utilizando o aparato estatal para proibir a prestação do serviço de transporte por outras empresas. O sindicato dos taxistas, por exemplo, conseguiu perante à Câmara Municipal do Rio de Janeiro a proibição dos aplicativos de transporte de passageiros, como o Uber e o Cabify.

Dado o exposto, a fim de resolver os problemas de mobilidade urbana, é necessário a diversificação da malha viária, com a construção de metrôs pelo Governo Federal por meio de parcerias público-privadas nas principais regiões metropolitanas do país, com o intuito de diminuir a necessidade do uso de carros. À prefeitura cabe a construção de ciclovias nas avenidas mais importantes, dado que exigem baixos investimentos públicos, e parcerias com a iniciativa privada para a implementação de pontos de bicicletas espalhados pela cidade, como Porto Alegre fez com o “bike poa”, para incentivar o seu uso pela população. Já a sociedade civil deve participar dos debates dentro das câmaras municipais a fim de incentivar a desregulamentação do setor, autorizando, assim, a entrada de novas empresas e permitindo a livre concorrência.