Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 19/10/2017

No governo de Juscelino Kubitschek,  a partir da construção de rodovias transnacionais, o Brasil tornou-se cenário de integração. Nessa perspectiva, dentre os objetivos, visa-se introduzir e fomentar a ascendente indústria automobilística. Esse incentivo, que persiste até hoje,  potencializou a chegada da crise de mobilidade urbana, impondo desafios para a locomoção nas cidades, haja em vista a precarização do transporte pública, a individualização dos meios, bem como os decorrentes problemas ambientais. Outrossim, tais efeitos são derivados, principalmente, da má governança pública, que desdenha com as emergências do espaço urbano.

É indubitável que, dentre as causas do caos citadino, está a preferência dos meios de transporte individuais em detrimento dos de uso coletivo. Segundo o Observatório das Metrópoles, entre 2010 e 2012, em cidades como Belo Horizonte, Florianópolis e São Paulo, estimava-se mais de dois automóveis por habitante. Tal realidade ganha contornos exorbitantes nos horários de maior fluxo, proporcionando o congestionamento das vias e, mais importante, a perda de um tempo que poderia ser investido em atividades produtivas. Nessa lógica, ações como os chamados “rodízios” são instrumentos importantes para controlar o trânsito e evitar a poluição gerada pela emissão de dióxido de carbono.

Destarte, percebe-se que a má qualidade do transporte público associada ao crescimento desordenado das cidades, proporciona transtornos diários para os usuários do sistema. Um dos exemplos mais emblemáticos é o transporte coletivo de São Paulo, onde as pessoas têm que enfrentar longas horas de espera e, ainda, utilizar várias conduções, mormente por conta do inchaço da malha urbana. Nesse sentido, sabe-se que a parcela usuária, em grande maioria, vive nas áreas mais distantes e marginalizadas. Em virtude dessa situação, é necessário reverter a lógica das cidades, tornam-as mais acessíveis e socialmente mais justas no que tange à locomoção. Para isso, é necessária uma verdadeira revolução nas políticas públicas.

Em suma, para resolução dessa problemática, medidas devem ser tomadas. Em primeira instância ,é necessário que as empresas privadas e públicas incentivem o uso dos transportes de massas e das bicicletas dando bonificações para os empregados que praticam tal atividade. Em adição, os gestores governamentais têm a obrigação  de melhorar as qualidades e eficiências do transporte público e do desenvolvimento de um trânsito focado na circulação desses veículos. Além disso, a construção de ciclovias e ciclofaixas deve ser mais bem trabalhada. Por fim, as soluções são conhecidas e variadas, algumas mais simples que outras, e envolvem a realização de um planejamento que englobe e considere todos os atores da mobilidade e priorize os transportes não motorizados e coletivos.