Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 20/10/2017

Caminhos à mobilidade urbana

Durante o século XVII, Gregório de Matos já evidenciava a precariedade da infraestrutura urbana dentro de suas obras. No limiar do século XXI, as dificuldades da mobilidade dentro das cidades brasileiras demonstra a pouca evolução no cenário urbano nacional. Por um lado, a dificuldade do governo na estruturação de meios de transporte eficientes; por outro, o pensamento individualista do cidadão, prevalecendo a utilização de veículos pessoais ao invés do uso de coletivos, o que favorece o congestionamento nas grandes metrópoles.

Em uma análise administrativa, é evidente que a falta de elaboração de um modelo adequado às realidades urbanas brasileira esteja entre as matrizes da problemática. Isso porque, com uma das maiores densidades populacionais do mundo, cerca de 210 milhões de habitantes, o Brasil sofre com o processo de macrocefalia urbana. Nesse sentido, com a ausência de um plano para a mobilidade, os cidadãos, em seu deslocamento cotidiano, congestionam as grandes cidades, tornando-as desfavoráveis à transitividade. Em tal cenário é possível correlacionar às obras de Aristóteles, o qual defende o homem como animal político, sendo assim, seu dever gerir o Estado visando ao bem comum. Por conseguinte, a lógica aristotélica é descumprida na medida em que o cidadão é cerceado, minimante, de seu direito de ir e vir.

Sob uma ótica comportamental, a postura individualista na utilização dos meios de transporte corrobora, também, de maneira significativa para manutenção do quadro. Devido à preferência por veículos pessoais, as vias públicas não suportam tamanho contingente de carros, assim, favorecendo a dificuldade na mobilidade urbana. Segundo Èmile Lacan, a construção da personalidade individual é baseada nas moras da coletividade, logo, a persistência desse caráter egoísta na sociedade brasileira advém da formação cultural da mesma. Nessa lógica, a desconstrução de tal traço social se demonstra fundamental na reversão do quadro.

A falta de mobilidade urbana, portanto, se tornou um problema a ser combatido. Dessa forma, cabe ao Ministério do Desenvolvimento, devido ao seu caráter técnico, a elaboração de sistemas de transportes mais eficientes, através de pesquisas que busquem atender as condições espacias brasileiras, no intuito de amenizar o processo de macrocefalia urbana no país. Ademais, a escola, como formadora de cidadãos, por meio de aulas lúdicas e palestras, pode estimular a desconstrução da postura individualista perante ao uso dos meios de transporte, a fim de combater as questões dos congestionamentos. Assim sendo, o Brasil que para poderá viver dias mais fluídos.