Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 22/10/2017

Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, todos tem o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, tendo o dever de preservá-la para as presentes e futuras gerações. Entretanto, a sociedade encontra dificuldades impostas pela densa quantidade de automóveis nos centros urbanos, colocando incertos os direitos à qualidade de vida dos cidadãos e do futuro das cidades. Com efeito, um diálogo entre a sociedade e o Estado sobre tal questão é capaz de solucionar esse conflito.

Em primeiro plano, é necessário que a população atual não aceite os discursos já promovidos na metade do século XIX, que estimularam o grande uso de carros e sua elevada produção, em prol da economia nacional. Hoje, não mais dependente dos lucros gerados por esse setor, o Brasil apresenta problemas urbanos que podem ser observados pelo excesso de veículos, que sem dúvida, intensifica a poluição do ar e o efeito estufa na Terra. No entanto, já reconhecido a gravidade destes problemas ambientais, não é razoável que o Estado continue incentivando financeiramente a população e as indústrias automobilísticas, garantindo assim o sucesso na preservação ambiental.

De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características - e o maior embate -  da pós-modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser inábil de pensar nas futuras gerações. Essa questão mostra-se pertinente, pois ao invés dos veículos individuais serem utilizados para transportar cinco pessoas, normalmente (por escolha do proprietário), transportam apenas uma pessoa resultando no abarrotamento do trânsito. Nesse sentido, um caminho possível para combater este transtorno é superar o principal problema da pós-modernidade, segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.

Urge, portanto, que os indivíduos e instituições públicas cooperem para sanar os problemas de mobilidade urbana no Brasil. Cabe ao Ministério dos Transportes, investir em uma frota de qualidade nos transportes públicos, além de ampliarem as pistas exclusivas aos mesmos dentro das cidades, garantindo maior agilidade. Juntamente com o Ministério do Meio Ambiente promover campanhas de conscientização ambiental por meio das mídias sociais e dentro das escolas, a fim de mobilizar a população ao uso do transporte coletivo e ciclístico. Assim, observada a ação conjunta entre população e poder público, acarretará êxito no cumprimento de seus direitos.