Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 23/10/2017
Individual em segundo plano, saúde mental em primeiro
A mobilidade urbana é um desafio enfrentado pela maioria dos brasileiros devido ao aumento de veículos transitando diariamente em grandes centros. Levando em consideração que essa situação é causada pela preferência do transporte individual em detrimento do coletivo, que gera estresse para quem está sujeito a enfrentar horas no trânsito e, também, contribui para o aumento da poluição, cabe analisar o porquê de isso ocorrer.
A saber, segundo dados do Observatório das Metrópoles, enquanto a população brasileira aumentou 12% em dez anos, o número de veículos registrados passou de 130% a mais para o mesmo intervalo de tempo, o que nos remete a um cálculo de 1,4 pessoas por veículo. Essa superlotação se dá pelo incentivo do governo para que mais pessoas conseguissem adquirir um veículo próprio atrelado ao aumento da renda média dos brasileiros. Por consequência disso, muitas pessoas passam mais tempo dirigindo para chegar ao local do trabalho do que de fato trabalhando, acarretando desgaste físico e mental. O jurista e filósofo, Jeremy Bentham, dizia que as decisões políticas e sociais devem obedecer a finalidade que é alcançar a felicidade da maioria, então o governo deveria investir nas melhorias do transporte público a fim de proporcionar um pouco mais de comodidade à população.
Vale citar que quanto mais veículos rodando, maior é o acúmulo de gases poluentes liberados na atmosfera e isso interfere no clima, nas ilhas de calor e, consequentemente, no bem estar dos cidadãos. Pensando em resolver o problema do trânsito, cidades como Amsterdã restringiram o uso de carros, incentivaram o uso de bicicletas, a criação de ciclofaixas e mantiveram a boa qualidade do transporte público para que todos pudessem se locomover facilmente. Com o mesmo intuito, o de minimizar a aglomeração, foi criado, em São Paulo, o “rodízio” que suprime considerável, mas não suficientemente, a quantidade de carros, porém precisamos de regras que englobem todo o país, haja vista que é do interesse da maioria viver com qualidade de vida, sem congestionamentos e sem prejudicar ainda mais o meio ambiente.
Em suma, podemos concluir que conseguiremos atingir plena felicidade no trânsito, apenas com um bom planejamento e cabe ao governo federal criar leis que obriguem o indivíduo a refletir sobre a importância de tomar o transporte coletivo, como rodízios e aplicação de multas e advertências. Porém, para aplicar isso, o governo deve aumentar a frota de ônibus, incentivar o uso de metrôs e colocar pontos de bicicletas públicas nos centros urbanos. Só assim estaremos diminuindo a degradação ambiental e melhorando a nossa qualidade de vida.