Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 24/10/2017
É de conhecimento geral a péssima condição do trânsito, principalmente nas grandes cidades, fato que evidencia cada vez mais questões acerca da mobilidade urbana no Brasil. Nesse contexto, a população dos grandes centros urbanos está habituada a despender longas horas diárias presa a congestionamentos, além de uma grande parcela se submeter a um transporte público caro e de péssima qualidade. Diante dessa realidade, alternativas em transportes devem ser relevados de maneira a desafogar o trânsito e oferecer melhores condições de mobilidade.
O brasileiro gasta muito tempo no trânsito, sobretudo nas grandes metrópoles. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em 10 das principais regiões metropolitanas do país, entre 1992 e 2009, ocorreu um aumento no tempo médio de deslocamento de casa para o local de trabalho. O grande inchaço observado nas rodovias é claramente explicado pela histórica valorização do modal rodoviário de transporte por parte, principalmente, de governos desenvolvimentistas.
Dessa forma, o forte rodoviarismo do país e a acessibilidade da classe média a veículos individuais contribuíram para que cada vez mais carros e motocicletas fizessem parte do cenário urbano. Aliado a isso, observa-se a ausência de uma política sólida e contínua de investimento em transportes públicos coletivos, que apresentam-se de maneira insuficiente para suprir a demanda diária de locomoção das grandes cidades. O grande número de carros nas ruas reduz a qualidade de vida da população local, visto que a superlotação das vias é um fator preponderante para a poluição e a ocorrência de acidentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas em 2013, mais de 41 mil pessoas perderam a vida no trânsito brasileiro.
Contudo, o Brasil é um país de dimensões continentais, fato que atribui à seu território grande variabilidade de relevo e, com isso, diferentes oportunidades de exploração de modelos de transporte, como o ferroviário e o hidroviário. Urbanistas apontam a diversificação como uma maneira de otimizar o deslocamento de pessoas e bens ao longo da extensão territorial nacional.
Portanto, a resolução do problema da mobilidade urbana na atualidade deve ser resolvido através de uma política bem estruturada de investimento em transporte público coletivo, de maneira a interligar modais de transportes distintos, como é o caso dos ônibus, trens, metrôs e bicicletas. Esse investimento deve ser acompanhado por um corpo técnico competente em urbanismo, para estudar as melhores possibilidades de deslocamento em dada região. Ademais, com campanhas de estímulo ao uso de outras modalidades de locomoção, haverá formas inteligentes de melhorar a mobilidade urbana.