Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 24/10/2017

O artigo 5 da constituição federal brasileira assegura a todos os cidadãos o direito de ir e vir. Entretanto, a realidade, vivida por milhões destes, denota a ineficácia do benefício. Nesse contexto, vale analisar como o consumismo somado a falta de planejamento urbano contribuem para o problema.

Desde o século passado, os governos sempre priorizaram e estimularam a aquisição do automóvel individual. O ex-presidente Washington Luís, por exemplo, dizia que “governar é abrir estradas”, evidenciando haver uma política voltada para a construção de rodovias, estimulando a população a adquirir veículos. Por consequência dessa propagação midiática da “cultura do carro” o Brasil tem, segundo pesquisas do Denatran em conjunto com o IBGE, um automóvel para cada quatro habitante.

Ademais, ao passo que diversas discussões acerca da mobilidade urbana e métodos alternativos de transporte são considerados, a falta de planejamento urbano torna-se outra problemática. Por exemplo, são poucas as cidades brasileiras que possuem ciclovias ou mesmo faixas adequadas para os pedestres. Soma-se esse fator à sinalização precária, má informação e falta de educação no trânsito torna-se possível compreender o motivo de diversos brasileiros optarem por seu veículo individual.

Logo, medidas são necessárias para resolver o impasse. O governo federal em conjunto com a mídia deve lançar campanhas com o intuito de informar a população acerca dos benefícios do transporte alternativo, ao passo       que o Ministério da Educação realiza palestras, em parceria com as escolas e faculdades, a respeito do consumismo. Ademais, os governos estaduais em conjunto com Detran devem reaver o planejamento das cidades e assim buscar levar maior acessibilidade a ciclistas e pedestres, tornando possível uma maior aderência dessas modalidades. Dessa forma, a questão da mobilidade poderá ser melhorada e o direito explicitado no artigo 5, ser respeitado.