Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 25/10/2017

Ainda no século XX, o rodoviarismo de JK provocou um desequilíbrio na matriz de transporte brasileira. Decorridas décadas desde esse fenômeno histórico, na contemporaneidade, o país enfrenta as graves consequências dessa política desenvolvimentista, com a falta de fluidez do trânsito e a dificuldade de locomoção nas cidades. Fatores de ordem social, bem como econômica caracterizam o dilema do inchaço de automóveis nas ruas do Brasil.

É importante pontuar, de início, a insegurança de muitas mulheres na utilização do transporte coletivo. À guisa do sociólogo Dahrendorf, a anomia é uma condição social em que as normas reguladoras perdem sua validade. Esse fenômeno foi amplamente percebido no recente caso de um homem que ejaculou em uma passageira no ônibus e não recebeu as devidas punições pelo seu ato. Episódios como esse ratificam o medo e a vulnerabilidade dos cidadãos no uso do meio coletivo, fomentando a recusa pelo transporte público e as dificuldades de mobilidade no meio urbano.

Outrossim, tem-se a influência de valores econômicos na preferência dos brasileiros pelos automóveis individuais. Conforme o pensamento de Marx, em um mundo capitalizado, as mercadorias são fetichizadas, representando mais do que apenas a sua funcionalidade. Nesse sentido, o carro, no Brasil, passa a ser sinônimo de status e prestígio social, sendo utilizado constantemente para demonstrar o poder de seus donos. Assim, muitos indivíduos enfrentam desafios em abandonar o transporte individual e adotar meios de locomoção mais sustentáveis e melhores para a dinâmica urbana.

É notória, portanto, a influência de fatores sociais e econômicos na problemática supracitada. Nesse viés, o Governo, por intermédio dos órgãos responsáveis, deve coibir o assédio sexual nos transportes coletivos do país. Esse projeto deve contar com a criação de delegacias especializadas em tratar desses crimes e pelo desenvolvimento de campanhas contra essa prática nos principais veículos de comunicação. Paralelamente, cabe às escolas, em consonância com ONGs da área, incentivar o uso de meios alternativos de locomoção. A ideia da medida é, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de ações nas ruas, reduzir o uso do automóvel individual a fim de melhorar a questão da mobilidade nos centros urbanos. Por fim, a mídia, enquanto difusora de novos comportamentos e opiniões, deve descontruir os valores criados acerca dos carros. Essa intervenção pode contar com telenovelas e propagandas educativas sobre o assunto, visando minimizar o fetiche sobre essas mercadorias e conscientizar a população da importância dos transportes públicos.