Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 26/10/2017
O Brasil, assim como a maioria dos países subdesenvolvidos, sofreu um rápido e desordenado processo de urbanização intensificado pela industrialização promovida por Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek a partir do século XX. Tendo em vista esse cenário, percebe-se que há nas metrópoles brasileiras um grande contingente populacional sem uma estrutura adequada que possa comportá-lo. Destarte, surgem desafios no que diz respeito a uma visão conjunta dos problemas das cidades que considere habitação e mobilidade.
Define-se, nesse contexto, como ponto de partida, o fato de que as grandes cidades atraem pessoas pelas atividades que estes centros urbanos oferecem, e consequentemente possuem maior número de habitantes, logo, necessitam ser adaptadas para comportar toda essa demanda populacional. Tendo em vista que a maioria das capitais brasileiras apresentam tráfego intenso devido a imensa frota de carros, fica evidente a falta de planejamento e investimento em mobilidade que afetam diretamente a vida dos indivíduos que se deslocam diariamente tanto para estudar quanto para trabalhar. Isso se deve à falta de uma política urbana integrada, a qual busque adequar de maneira estrutural as cidades.
Outra questão relevante ao assunto se refere às condições de moradia nos grandes centros. De acordo com um levantamento feito em 2010 pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a população das periferias cresce mais que a média do Brasil. Esse dado revela uma realidade de pessoas de baixa renda que sofrem os reflexos negativos da carência de estrutura, principalmente em capitais e regiões metropolitanas, que convivem com situações de falta de saneamento básico e riscos de deslizamento, em alguns casos. Esse quadro aponta para mais um problema da urbanização desordenada, a favelização, a qual implica diminuição da qualidade de vida dos brasileiros.
Por tudo isso, faz-se necessária a adoção de medidas com vistas a mitigar os problemas relacionados ao planejamento das cidades. Para tanto, é preciso que o governo em parceria com empresas privadas de construção façam projetos de construção de moradias próximos ao centros das metrópoles para a parcela da população com baixo poder aquisitivo, a fim de que esses indivíduos tenham acesso a condições dignas de moradia e economizem no tempo de deslocamento diário. É imperativo, ainda, que as prefeituras invistam na ampliação das linhas de metrô, com o intuito de melhorar a mobilidade urbana.