Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 27/10/2017
São tempos difíceis para a mobilidade urbana.
Hoje é nítido o quanto as pessoas perdem tempo de suas vidas passando horas paradas em um trânsito travado devido a falta de planejamento e a crescente venda de carros, proveniente das facilidades criadas pelos governos e a indústria automobilística. Após a industrialização feita por Vargas, JK decidiu direcionar a mobilidade do país pelo modelo rodoviário, gerando investimento e lucros rápidos, nutrindo a sua idéia de desenvolver cinqüenta anos em cinco. Precisamos entender que o individualismo no trânsito só piora o quadro atual e que é necessário diversificar os meios de transporte.
A população precisa se deslocar pela cidade todos os dias para trabalhar, estudar, visitar lugares, fazer compras, resolver problemas, viver. O caos do trânsito não tem classe social, sendo pior para os mais pobres que não tendo condições de adquirir um meio de transporte particular, se vêem tratados como animais dentro de ônibus, trens e metrôs, sendo compactados em espaços minúsculos. Essa super lotação gera na população insatisfação e muitas vezes violação da intimidade e dignidade do ser humano quando ouvimos denúncias e relatos de abuso sexual, que tem entre os seus motivos a proximidade absurda entre as pessoas nesses ambientes.
Necessitamos pensar de fato a cidade, como ela cresce, os seus fluxos, as necessidades da população. Nota-se que o pensamento sobre a mobilidade se resume a tentar resolver problemas que vão aparecendo, vias e rodovias são para onde os olhos se voltam esquecendo de pensar na urbanidade em si e como ela acontece. Para se ter mobilidade urbana é preciso criar acessos coletivos e democráticos a urbe de forma que tenha um resultando ecologicamente sustentável.
É preciso entender conceitos de urbanidade de uma forma mais complexa, garantindo medidas profiláticas relacionadas ao desenvolvimento e o crescimento populacional. Não podemos negar a necessidade dos pais e das escolas ensinarem seus filhos e alunos a pensar de forma mais coletiva, no bem estar da sociedade, gerando uma educação no trânsito. Cobrar do poder executivo responsável um transporte público de qualidade que atenda a demanda com respeito ao indivíduo, mostrando as pessoas que é muito melhor para a mobilidade consciente o transporte coletivo intermodal, suprindo as necessidades de cada lugar, respeitando suas características, sem perderem tantas horas paradas no atual trânsito individualista. Vias planejadas e conectadas para trânsito de pedestres e bicicletas, fazendo perceber o quanto as ciclovias bem estruturadas e o bom uso delas junto com as demais medidas citadas podem transformar o jeito das pessoas viverem a cidade e aproveitar cada vez mais.