Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 29/10/2017

“Stop! A vida parou ou foi o automóvel?”. Esses versos do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, escritos ainda no século passado, parecem ter sido uma profecia para os dias atuais. De fato, no Brasil, a mobilidade urbana tem se tornado um problema para as grandes cidades, já que a preferência pelos transportes individuais e a má qualidade do transporte público refletem negativamente no deslocamento cotidiano da população.

Em primeiro lugar, desde o governo Juscelino Kubitschek, o Brasil investiu fortemente na priorização do modal rodoviário. Com isso, os incentivos e subsídios para a instalação de montadoras internacionais no país foram enormes, o que levou ao aumento do número de automóveis. Desde então, a preferência pelos transportes individuais só cresceu, o que gera, até hoje, uma maior demanda por espaço nas vias urbanas. Somado a isso, outros problemas que decorrem da priorização do automóvel são os engarrafamentos e o agravamento do aquecimento global. Este, advindo da liberação em excesso de gás carbônico; aqueles, ocasionados pela grande quantidade de veículos em circulação. Essa situação poderia ser resolvida com a utilização de transportes alternativos, no entanto, as políticas públicas de incentivo são ineficientes, agravando o problema da mobilidade urbana.

Em segundo lugar, outro entrave para a locomoção adequada nos centros urbanos é a má qualidade dos transportes públicos que são de suma importância e utilizados com mais frequência pelas classes com menor poder aquisitivo, destarte são as mais prejudicadas por esse veículos deficitários. Esse contexto pode ser explicada por diversos fatores. Inicialmente, a frota de ônibus é insuficiente e, por vezes, deteriorada a ponto de comprometer a segurança e bem-estar da população. Em seguida, não existe integração entre modais, como é feito na França e na Noruega, por exemplo. Assim, a qualidade do serviço é comprometida e intensifica toda essa problemática.

Não obstante, a mobilidade urbana é assegurada na Constituição de 1988 do Brasil como o direito de ir e vir, por isso é indubitável que o Ministério das Cidades torne essa prerrogativa a realidade do país por meio de um plano de melhoria do transporte público (ampliação de frotas, modernização dos veículos), acarretando em melhoria na qualidade de vida de quem o utiliza. Outrossim, as empresas responsáveis por esse serviço público devem priorizar a integração de modais para facilitar o deslocamento cotidiano, diminuir o trânsito e por conseguinte, o tempo para chegar ao destino. Além disso, a mídia deve incentivar o uso de meios de transporte alternativos, como a bicicleta, e os coletivos, recorrendo a novelas, propagandas, para tal. Dessa forma os versos de Drummond não terão mais relação com o presente e a mobilidade urbana não será mais um obstáculo ao desenvolvimento.