Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 30/10/2017

Entre 1956 e 1961, Juscelino Kubitschek governou o país. Entre suas 31 metas desenvolvimentistas, o presidente investiu fortemente na indústria automobilística. Todavia, a cultura de consumo de carros não veio acompanhada por projetos de crescimento e planejamento espacial, fato esse que corroborou para um grave problema presente atualmente: a falta de mobilidade urbana. A partir dessa perspectiva, torna-se fundamental analisar o complexo cenário no qual o assunto está inserido e explicar a urgência de medidas para sanar esses desafios.

A princípio, é fundamental compreender que o tráfego cotidiano no Brasil enfrenta muitos desafios. Diante disso, destaca-se o fenômeno popularmente conhecido por “engarrafamento”, causado pelo grande crescimento da frota veicular. Esse aumento decorre principalmente em função da má qualidade e da reduzida quantidade do transporte coletivo, além do consumismo enraizado na sociedade que instiga a compra de automóveis pela população, uma vez que, sob a perspectiva marxista, “a economia define a sociedade”. Isso significa que os indivíduos se tornam reflexo do capitalismo vigente e, portanto, o individualismo característico se traduz na compra de veículos particulares.

Em contrapartida, o âmbito social não é o único afetado por essa defasagem. À medida que os carros aumentam em quantidade, ocorre a maior liberação de gás carbônico (CO2) para a atmosfera, fator essencial para o agravamento do Aquecimento Global e consequente acréscimo da temperatura mundial. Além disso, a destruição das chamadas “áreas verdes” para construção de ferrovias e estradas não ajuda na diminuição do congestionamento nas cidades, fator observado na política de Kubitschek. Entretanto, essas áreas são de grande importância a favor da redução da poluição, devido aos processos de oxigenação arbórea. Logo, faz-se necessário aliar à mobilidade urbana a sustentabilidade dos veículos e a diminuição das frotas.

À vista disso, torna-se fundamental adotar medidas que possam realmente alterar esse quadro. A princípio, cabe à Prefeitura de cada estado brasileiro a criação de ciclovias mais bem desenvolvidas, ou seja, com espaço devidamente seguro entre elas e as pistas de veículos, além de criar campanhas a fim de estimular a utilização de transportes como a bicicleta, que não causa danos ao meio ambiente e favorece a mobilidade. Em paralelo, o governo deve investir maior parte da renda nos transportes coletivos, como ônibus, para melhorar a qualidade e incentivar o uso pela população. Com essas medidas, acredita-se que irá se alcançar a devida mobilidade urbana e promover prontamente aos cidadãos o direito de ir e vir previsto na Constituição Federal, sem mais desafios.