Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/11/2017

Fluxo interrompido

Já é conhecida, no mundo acadêmico, a tese durkheimiana do organismo social, isto é, de a sociedade funcionar como um organismo vivo, sendo fundamental o fluxo entre suas partes. Apesar de tal conhecimento, a mobilidade urbana brasileira revela-se estagnada devido à ganância do sistema político-econômico regedor do país, impedindo a livre circulação pessoal e a cidadania. Sendo de extrema importância, pois, um conjunto de medidas para reverter tal arquétipo social.

Primeiramente, a conjuntura política afasta o sonho de uma infraestrutra logística plena graças à manutenção da desigualdade regional. Seja no Império, na República Oligárquica ou em qualquer outro período histórico, o Brasil sempre residiu um intenso abismo entre as regiões nacionais. No momento contemporâneo, tal realidade, denominada hierarquia urbana, é intensificada graças ao privilégio dado ao eixo sul-sudeste nos investimentos. Ademais, tal estrutura promove um intenso fluxo migratório e aglomeração urbana, dificultando um planejamento urbano adequado. Dessa forma, a mobilidade torna-se comprometida e os indivíduos têm seu direito constitucional de ir e vir anulado.

Outra barreira promovida pelo sistema político-econômico atual estabelece-se, mormente, sobre o vínculo entre a esfera pública e empresas privada. Algumas empresas de transporte financiam campanhas políticas com o intuito de, após o candidato ser eleito, receber benefícios e se perpetuarem no monopólio logístico. Essas, no entanto, negligenciam o ferroviarismo, o qual é adequado a um meio urbano denso, e priorizam o transporte rodoviário, de rápido lucro embora poluidor e de fácil estagnação em uma aglomeração citadina, a qual ocorre em todo o Brasil. Pode-se citar a título de exemplo, a política de Juscelino Kubitschek, o qual priorizando o fator econômico, abriu o país para empresas automobilísticas. Contudo, o povo é quem sofre com tal aspecto, perdendo seu direito de deslocar-se, como previa a Constituição “Cidadã” de 1988.

O sistema político-econômico brasileiro revela-se, destarte, como uma barreira a uma realidade de plena mobilidade urbana. Para mitigar tal quadro, a sociedade civil, acompanhada por ONGs, poderia organizar passeatas via fóruns em redes sociais, com a finalidade de aclamar por uma mudança na estrutura política e econômica. Essa investiria em uma intermodalidade logística, desenvolvendo redes de metrôs, adequadas para as aglomerações urbanas, concomitantes a linhas de ônibus e bicicletas. A tese de Durkheim, sobre o fluxo entre as partes urbanas, seria, assim, aplicada e a população teria seus direitos respeitados.