Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 31/10/2017
Nos primórdios do século XIX, o poeta italiano Filippo Marinetti lançou a publicação “Manifesto Futurista”, que trouxe novos ideais artísticos baseados fortemente na representação dos objetos em ação. De maneira análoga, olhar para os grandes pólos dos Brasil hoje, com seus enormes contingentes de automóveis, assemelha-se a observar um quadro futurista. Infelizmente, essa não é uma pintura agradável, mas que torna inviável a mobilidade urbana no país.
Vale ressaltar, a priori, os fatores que levam a essa influidez no tráfego. No Artigo V da Carta Magna, todo cidadão tem a garantia de ir e vir. Entretanto, esse direito é rompido pelo dilema estrutural que o país vive- o aumento no fluxo de veículos e pessoas, devido à urbanização, para estagnados números rodoviários. Outrossim, existe faltas de políticas de longo e médio prazo e uma gestão eficiente que vise a humanização e a otimização da qualidade do percurso. Um reflexo dessa morosidade de obras está no atraso da orla de Ondina, em Salvador, onde as ciclovias foram substituídas por tapumes.
Como substrato desse panorama, obtêm-se um trânsito em estado caótico. Na obra “Guernica”, Pablo Picasso denuncia a Espanha como palco de uma guerra. Tal como no quadro, o cotidiano das ruas brasileiras transparecem uma realidade violenta- as buzinas constantes e as brigas são reflexos do estresse causado pelos engarrafamentos, que tornam o tráfego estagnado.
Fica evidente, portanto, a necessidade de formular caminhos para otimizar a mobilidade urbana no país. Para tal, recai na postura do Ministério das Cidades a criação de estações que integrem variados modais de transporte urbano e coletivo, como hidrovias, ciclovias e rua de pedestres, a fim de ampliar as alternativas para o percurso. Outrossim, cabe ao Poder Público Municipal a ressignificação do transporte público, melhorando sua infraestrutura para que se torne opção primária de locomoção, diminuindo o contingente de carros. Ademais, o Governo Federal deve participar enviando verbas às regiões que estão com obras paradas, com fito de facilitar o acesso dos pedestres aos meios modais.