Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 02/11/2017
O professor alemão Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, no seu livro “A Quarta Revolução Industrial”, afirma que estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como trabalhamos, vivemos e relacionamos. No entanto, mesmo diante de tantos avanços, a mobilidade urbana no Brasil ainda é um entrave social que reflete no cotidiano da população. Por isso, é preciso de um olhar mais apurado sobre o problema, para descobrir as suas raízes.
De fato, no governo de Juscelino Kubitzschek, durante o período populista, iniciaram-se os investimentos no setor automobilístico do país. Em vista disso, no decorrer dos anos, a política rodoviária consolidou-se e, atualmente, é visível a constante aquisição de veículos por parte dos brasileiros, revelando não só a concentração de automóveis no trânsito, como também a escassez de investimentos de algumas gestões estaduais no setor do transporte público, que afeta no crescimento do fenômeno chamado “inchaço urbano”. À guisa de exemplo, pode-se ver comumente nas mídias os engarrafamentos que ocorrem majoritariamente em metrópoles, como São Paulo. Dessa forma, a criação de políticas públicas são necessárias, no intuito de assegurar o direito de ir e vir dos indivíduos.
Nesse enfoque, é importante frisar também acerca das normatizações que regem o transitar de sujeitos com mobilidade reduzida. Posto isso, a lei 10.098 afirma que, todo obstáculos materiais devem ser retirados dos passeios, espaços públicos, com o objetivo de proporcionar acessibilidade a esses cidadãos. Contudo, percebe-se a quebra dessa regulamentação mediante situações banais, como calçadas sem rampas, com ingremidades, ou pela falta de elevadores para cadeirantes em ônibus, fatores que atuam como um empecilho na garantia da acessibilidade aos brasileiros. Destarte, o a atuação governamental é essencial, a fim de melhor implementar a regulamentação.
De acordo com René Descartes, todo problema que se resolve torna-se uma regra que, depois, serve para resolver outros problemas. Desse modo, cabe ao Governo Federal desenvolver pistas para ciclistas, com o objetivo de dar espaço para novas formas de locomoção, além de promover campanhas nas redes sociais, que incentivem o uso de bicicletas, consequentemente, diminuindo o número de automóveis no meio urbano. Já as escolas, à luz do conhecimento, devem realizar palestras com estudantes, ministradas por advogados a respeito da lei referida, com o objetivo de atiçar a criticidade dos alunos, impactando em futuros cidadãos conscientes. Outrossim, o Departamento Nacional de Trânsito, deve criar uma fiscalização móvel nas cidades, com o propósito de efetivar e controlar as normas estabelecidas.