Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/11/2017
Não é apenas investir em ruas
As atuais cidades brasileiras apresentam desafios enormes em relação a mobilidade urbana. O atual modelo que prioriza o transporte rodoviário em detrimento de outras modalidades de locomoção, o baixo investimento em transportes coletivos e o aumento da frota de veículos geraram uma situação calamitosa nas cidades: aumento dos engarrafamentos e lentidão no trânsito, o consequente estresse e a diminuição da qualidade de vida das pessoas.
Medidas para diminuir o inchaço no trânsito focando apenas no sistema rodoviário, como o sistema de rodízio de automóveis e a construção de mais estradas, demonstraram-se ineficazes. Necessitamos diversificar as modalidades de locomoção e planejar cidades capazes de suporta-las. Investir em ciclovias é uma solução, pois além de ser um transporte sustentável, ocupa menos espaço por pessoa transportada que um veículo. Outra ótima medida vem do exemplo de Barcelona, onde ruas do centro foram fechadas para livre circulação de pedestres, aumentando a qualidade de vida das pessoas e a facilidade de circulação.
Além dos exemplos citados, investir em um bom sistema de transporte público também desafogara as estradas brasileiras. Exemplificando, um ônibus apenas transporta 80 pessoas, sendo necessário 57 carros para transportar esta mesma quantidade. Não sendo o ônibus a única solução, já que metrôs e trens de transporte de passageiros também são uma ótima investimento para melhorar a fluidez na circulação de pessoas.
Abordando mais especificamente o transporte ferroviário, num país com nossa extensão territorial, ele poderia complementar o transporte de cargas junto com o rodoviário, já que para longas distâncias ele apresenta o melhor custo benefício. Países como EUA, Canadá, Rússia, com grande extensão territorial, têm uma malha ferroviária muito desenvolvida, mostrando um exemplo a ser seguido pelo Brasil.
Enfim, ao negligenciar tais medidas, o Brasil não apenas torna o deslocamento nas cidades caótico, mas também impede um maior desenvolvimento econômico, pois o transporte eficiente de mercadorias gera mais lucros. Nesse momento, as cidades brasileiras têm uma escolha a fazer: continuar com o modelo atual que apenas olha para o sistema rodoviário ou adotar novas medidas visando o aprimoramento da qualidade de vida de seus cidadãos.