Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 03/11/2017
Durante o fim da década de 1950, na Presidência de Juscelino Kubitschek, o modelo rodoviarista foi difundido no Brasil, buscando integrar o país e atrair empresas do ramo automobilístico. Tal medida continuou a ser implementada pelos governos seguintes, causando, assim, graves problemas na mobilidade urbana brasileira, situação prejudicial ao bem-estar dos cidadãos.
Primeiramente, é importante destacar o quanto o aumento do transporte individual afeta o tráfego. Desde que as indústrias supracitadas chegaram ao Brasil, ter um carro se tornou “status” social, apenas aqueles com uma boa condição financeira o possuíam. Entretanto, o aumento da renda média do brasileiro no últimos anos, a redução de impostos por parte do Governo Federal sobre produtos industrializados, aliados ao descontentamento com o transporte público, contribui para que muitos brasileiros obtivessem seu próprio veículo. Esse fato, colaborou para o aumento do congestionamento nas grandes cidades, e, também, da poluição.
Ademais, é preciso ressaltar episódios como as manifestações ocorridas em 2013, que tiveram como um dos principais motivos o aumento de R$0,20 na passagem do transporte público. Tal acontecimento, demonstra a interferência da mobilidade urbana na vida do indivíduo. A falta de opções de modais faz com que na maioria das cidades o ônibus prevaleça, fazendo dele um meio caro, de baixa qualidade no qual a população perde muito tempo do seu dia. Tempo esse que poderia ser aproveitado para passar com a família, para descansar e, até mesmo, para diminuir os atrasos no trabalho, dessa forma, aumento a produtividade do trabalhador.
Diante dos fatos expostos, fica claro, portanto, a necessidade de medidas para resolver o impasse. Para isso, é preciso que, os governos municipais promovam a ampliação dos meios de transporte, por meio do investimento em novas frotas de ônibus, além da, criação de ciclovias - por parcerias público-privadas - visando ao fim dos congestionamentos e, consequentemente, à redução dos problemas ambientais. Outrossim, a mídia, com seu poder persuasivo, deve veicular campanhas que demonstrem as vantagens do uso do transporte coletivo, para que haja uma diminuição no uso dos veículos próprios. Destarte, a sociedade sairá de uma mentalidade do século XX, para uma forma mais consciente de se locomover e viver.