Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 03/11/2017

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Dessa forma, para que esse organismo seja saudável e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, isso não ocorre no Brasil, pois o direito de ir e vir deles está ameaçado. Esse desrespeito constitucional é fruto, principalmente, da equivocada escolha do modelo de transportes e da falta de planejamento urbano.

Em 1956, o presidente Juscelino Kubitschek com o intuito de colocar em prática o seu Plano Nacional Desenvolvimentista, optou por seguir o modelo americano de transportes, a fim de receber investimentos de empresas estrangeiras desse seguimento. Desse modo, iniciou-se a problemática da mobilidade no Brasil, pois, incentivou-se a aquisição de veículos automotores pela população, ao passo que diminuíam-se, consideravelmente, os investimentos em transportes de massa, como trens. Logo, com o aumento da renda do brasileiro, o país viveu uma “explosão automotiva”, o que transformou o cenário nacional em um caos locomotivo.

Somado a isso, o despojado investimento governamental em urbanismo tende a criar uma “entropia” sem precedentes. Porque a população continua a crescer, a quantidade de veículos também e as cidades não. Sendo assim, os centros urbanos ficarão cada vez mais inchados, como as artérias de um organismo com enormes placas de ateroma. Por conseguinte, caso não seja revertido esse quadro, o prognóstico não é animador.

Medidas devem ser tomadas, portanto, para garantir o bom funcionamento desse organismo. Os Ministérios dos Transportes e do Planejamento, Orçamento e Gestão devem se unir, a fim de criar planos de implantação e desenvolvimento dos transportes de massa, como trens, para grandes distâncias, e metrôs. Concomitantemente, o Ministério das Cidades em conjunto com os Estados e os Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo podem realizar estudos de revitalização das cidades, criando estacionamentos à parte e melhorando as vias de trânsito. E, sobretudo, o Ministério da Cultura, com o apoio dos meios de comunicação, incentivar o uso dos transportes públicos, por meio das novelas televisivas, dos anúncios radiofônicos e das redes sociais. Tomadas essas atitudes, espera-se que as partes que compõem esse organismo possam usufruir do seu direito constitucional de locomoção.