Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 04/11/2017
Flagelo Urbano
Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Pelo menos, era o que constatava Newton em uma de suas leis da física. Fato esse, que pode ser refutado, em sentido figurado, ao se deparar com situações comuns do cotidiano do trabalhador brasileiro, como engarrafamentos de veículos e superlotações de transportes coletivos. Do que se encaixa ao assunto mobilidade urbana, é evidente que os brasileiros, em especial os que dependem da execução de atividades em um perímetro de região industrializado, têm dificuldade de acesso e sofrem com a diminuição da produtividade e qualidade de vida. Com isso, se observa que a não fluidez urbana tem causas, principalmente, do elevado número de veículos individuais e da inviabilidade dos transportes coletivos.
Não é de agora, que se observa uma grande demanda por veículos individuais. Foi no governo de J.K., que se iniciou um grande incentivo econômico às indústrias automobilísticas para investirem no Brasil. Já no século XXI, com a ascensão das classes mais inferiores, houve um grande aumento da circulação de veículos populares. Tudo isso, motivado à uma “glamourização” de veículos automotores, como símbolos de status social, tanto propagados nos meios de comunicação até os dias de hoje, onde se vê um crescimento quase que exponencial das vendas em concessionárias.
Em congruência, é notável que uma das principais causas para a falta da mobilidade urbana, é a precariedade dos meios de transporte coletivo. Já dizia, Carlos Drummond de Andrade, em seu poema de sete faces: “Por que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.”. A elevada tarifa de passagem, somada à superlotação e problemas de percurso, são os principais fatores que geram uma inviabilidade de uso por parte da população, salvo, por maioria, os que não tem outra opção para a própria locomoção urbana.
Logo, medidas são necessárias para aumentar a fluidez no trânsito das cidades brasileiras. Como, por exemplo, ações do Ministério da Educação em parceria com a família, para promover valores de cidadania no espaço urbano aos estudantes, desde a pré-escola, diminuindo as tendências individualistas de consumo com meios de transporte. Em paralelo, faz-se necessário que o Ministério dos Transportes, em trabalho conjunto com o Governo Federal, aplique mais investimentos na infraestrutura dos transportes públicos e reduza consideravelmente o valor da tarifa da passagem. Dessa forma, o transito ficaria mais livre, e a plena mobilidade urbana seria garantida a todos os cidadãos, de modo que os brasileiros teriam mais rendimento financeiro e expectativa de vida.