Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 31/01/2018
A falta de mobilidade urbana no Brasil tem ocupado cada vez mais espaço no debate público. Tal problemática tem origem, sobretudo, no modelo rodoviarista impulsionado a partir do século XX por governantes brasileiros, a exemplo de Juscelino Kubistchek, visando à industrialização do país. Atualmente, outros fatores contribuem para a intensificação do número de veículos automotivos no trânsito - como estratégias promovidas pelo governo, aliadas à baixa qualidade dos transportes públicos - comprometendo o direito de ir e vir do cidadão, exposto no Artigo 5º da Constituição Federal, além de acarretar danos ambientais, sociais e econômicos.
Pesquisas realizadas pelo Ministério do Meio Ambiente indicam que o trasporte individual emite quarenta vezes mais poluentes em relação ao transporte público, prejudicando a saúde e a qualidade de vida do indivíduo. Nessa perspectiva, é válido salientar que a melhoria na renda da população de classe média e baixa, somado aos incentivos do governo federal no que tange ao mercado automobilístico - como a redução do IPI - estimulam a população a optarem por transportes particulares em detrimento dos transportes públicos, gerando problemas como engarrafamentos, acidentes e males advindos do estresse.
O Princípio da Impenetrabilidade propõe que “dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo”, uma tese que os brasileiros insistem e desafiar diariamente, devido à superlotação dos transportes coletivos. Dessa maneira, é possível afirmar que ainda não se investe suficientemente no aumento da eficiência do transporte público, seja para manter seus usuários ou para atrair novos - com o intuito de substituir os veículos automotivos individuais.
Fica claro, portanto, que a falta de mobilidade urbana no Brasil é um impasse que necessita ser resolvido. Desse modo, o Ministério do Transporte deve incentivar as grandes empresas, concedendo o selo “Empresa Amiga da Mobilidade Urbana”, como reconhecimento da responsabilidade social do colaborador, para aquelas que investirem em políticas de incentivo ao uso de bicicletas, tais como a cada determinado número de quilometragem pedalada, trocar por ingressos de cinema ou mensalidade de um clube ou associação atlética. As prefeituras, por sua vez, devem organizar eventos nas principais praças públicas, com a presença de profissionais da área de transportes, de modo a instruir a população acerca da importância e dos benefícios de optar por transportes coletivos e/ou alternativos em detrimento dos transportes individuais.