Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 25/02/2018
De acordo com Heródoto, um importante historiador da antiguidade, ’a pressa gera o erro em todas as coisas’. Desse modo, é possível se pautar na afirmação desse importante pensador para compreender a origem da questão da mobilidade urbana brasileira e que está intrinsecamente relacionada à situação atual. Nesse viés, o modelo rodoviarista do ex-presidente Juscelino Kubitschek supervalorizou a construção de rodovias, uma solução econômica,rápida e eficaz para a época, mas que foi responsável por dar origem às atuais metrópoles que carecem de planejamento da malha urbana, uma problemática que afeta a qualidade de vida nacional.
No contexto atual, a população brasileira movimenta uma economia capitalista e globalizada, o que significa que perder tempo é, por consequência, perder dinheiro, além de proporcionar um desgaste físico e mental nos trabalhadores. Nessa analogia, as pessoas optam por utilizar o transporte privado em detrimento do público não por uma questão de luxúria ou conforto, mas por ser uma das poucas alternativas capazes de cumprir com as suas necessidades básicas de deslocamento e por ser uma opção relativamente mais barata em relação aos modais públicos. Ademais,esses modais se encontram não só em péssimo estado de conservação, mas também são superlotados,lentos e perigosos.
Na conjuntura dos argumentos supracitados,a ausência de políticas públicas eficazes e que são responsáveis por melhorar a qualidade do serviço de transporte público e pela reestruturação citadina é um desafio à promoção da fluidez da malha urbana. Isto posto, o fluxo de veículos particulares nas vias terrestres aumenta cada vez mais, visto que o problema não tem sido resolvido, o que pode ser indubitavelmente comprovado ao verificar tanto o trânsito em metrópoles,como o Rio de Janeiro e São Paulo, quanto em cidades menores e evidencia a necessidade de intervenções sociogovernamentais para a resolução dessa questão.
Infere-se,portanto, que a problemática discutida necessita ser amenizada. E para isso, o Ministério das Cidades deve realizar uma parceria com as prefeituras municipais para que essas esferas possam sugerir propostas para a elaboração de um novo planejamento urbano capaz de superar as heranças do modelo rodoviarista do ex-presidente já anteriormente mencionado. Dessa maneira, haverá uma melhora nas qualidades de vida e de mobilidade no país. Outrossim ocorrerá uma diminuição no tempo que é gasto no trânsito e nos preços do transporte público, tornando-o mais acessível à população e suprindo as necessidades básicas dessa. Destarte, a comunidade brasileira será estimulada a utilizar os veículos coletivos, o que diminuirá o excesso de carros e contribuirá para a fluidez da malha urbana,atenuando a problemática.