Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 26/02/2018

Segundo Marilena Chauí, filósofa brasileira, a democracia deve ser um sistema com direitos igualitários para todos, sem ações que prejudiquem um grupo em prol de outro. No entanto, esse sistema é dificilmente efetivo na mobilidade urbana, pois o direito de ir e vir não é garantido para toda a sociedade, devido a problemas sócio-políticos. Nesse sentido, dois aspectos ressaltam-se: a valorização do transporte individual e das rodovias e a falta de acessibilidade.

Mormente, o enaltecimento do automóvel e das rodovias é um das principais causas da caoticidade do trânsito brasileiro. Segundo a tese marxista, o Estado, sob influência do capitalismo selvagem, assiste apenas os interesses da classe dominante. No Brasil, isto ocorreu na formação da indústria automobilista no governo JK, pois, com o intuito de enriquecer a burguesia industrial, ele incentivou a construção de rodovias, negligenciando as demais formas de transporte. Atrelado a isso, a redução do IPI pelo presidente Lula fomentou a compra de transportes individuais. Em decorrência dessas ações, o trânsito brasileiro tornou-se desordenado, gerando poluição excessiva, engarrafamentos e discussões cotidianas.

Outrossim, a acessibilidade, prevista pela Política Nacional de Mobilidade Urbana, é ineficiente e falha. De acordo com Sócrates, os erros são consequência da ignorância humana. Sob esse prisma, a sociedade civil, devido à falta de empatia, de conhecimento e à ignorância, não respeita as premissas asseguradas por tal política. Prova disso é que a população, indevidamente, usa os assentos preferenciais de ônibus e metrôs, bem como os motoristas desses não respeitam as limitações dos deficientes ao utilizarem o transporte público. Em função disso e da irregularidade das calçadas, o direito de ir e vir é burlado diariamente, dificultando a acessibilidade.

Evidencia-se, portanto, que a mobilidade urbana do Brasil é caótica, necessitando de mudanças nessa situação. Dessa forma, o Ministério dos Transportes, em conjunto com a sociedade civil, deve assegurar as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, a fim de efetivar o direito de ir vir da população. Por isso, o transporte intermodal precisa ser instalado nos centros urbanos, bem como os transportes públicos devem ser adequados às necessidades dos deficientes. Além disso, a sociedade civil deve respeitar as limitações dessa classe, preservando as calçadas e dando suporte à movimentação dela. Assim, com o apoio da sociedade e do Estado, é possível tornar a mobilidade urbana mais fluida.