Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 22/03/2018
Segundo Marilena Chauí, filósofa brasileira, a democracia deve ser um sistema com direitos igualitários para todos, sem ações que prejudiquem um grupo em prol de outro. No entanto, esse sistema é dificilmente efetivo na mobilidade urbana, pois o direito de ir e vir não são garantidos para toda a sociedade, devido os problemas sociopolíticos. Nesse sentido, dois aspectos ressaltam-se: a valorização do transporte individual e um sistema capitalista especulador.
Nessa reflexão, contata-se que o excesso de carros nas metrópoles agravou-se nas ultimas décadas devido à concentração de pessoas nas cidades, à falta de planejamento urbano e ao maior poder de compra das famílias, somados ao incentivo do Governo Federal para o mercado automobilístico (com a redução do IPI). Ademais, vive-se a civilização do capital, homens e mulheres assumem o consumismo como referência de vida: tudo se transforma em mercadoria, o valor de troca se faz absolutamente dominante. São “vidas para consumo”, nos termos de Zigmunt Bauman. É uma civilização marcada pela mobilidade individualizada para grupos que podem consumir este bem de mercado, frente a lamentável realidade da mobilidade precarizada dos transportes coletivos, somados a ineficiente acessibilidade prevista pela Política Nacional de Mobilidade Urbana, tais como, a irregularidade das calçadas e falha na estrutura necessária para deficientes e vias de bicicletas.
Considerando isso, de transportes públicos ineficazes ao engarrafamento dos grandes centros urbanos, avalia-se que este problema está conectado a um sistema capitalista especulador, o qual confunde desenvolvimento com crescimento econômico. Atrelado a isso, cabe avaliar as mobilizações de 2013 como uma crítica ao padrão de políticas públicas nesse país, enfatizando a precarização e a exigência de mudança, categorizando assim, um descaso com a dignidade humana, segundo o filósofo italiano – Noberto Bobbio, a dignidade é uma qualidade intrínseca ao homem, capaz de lhe dar direto ao respeito e à consideração por parte do Estado. Nessa lógica, o Poder Público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não proporciona aos cidadãos direito de acesso seguro e eficiente, caracterizando um irrespeito descomunal a sociedade.
Frente essa problemática, urge, a ação pelo Ministério dos Transportes, junto com a sociedade civil assegurar as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, a fim de efetivar o direito de ir e vir. Vale apostar, na instalação de transportes intermodais nos centros urbanos, somados a necessidade de transportes públicos adequados ás necessidades dos deficientes. Alem disso, cabe às empresas colaborar com a mobilidade urbana, usando mais tecnologia e inovação, diminuindo assim o fluxo de caminhões em horários, já afetados pelo engarrafamento, contribuindo para uma mobilidade fuída.