Os desafios da mobilidade urbana no Brasil
Enviada em 07/04/2018
É de conhecimento geral que atualmente a mobilidade urbana é um dos setores mais importantes para a manutenção da sociedade contemporânea. É mediante tal questão que as relações são facilitadas. No entanto, com o aumento da população e o estímulo à compra de meios de transportes individuais, as cidades brasileiras ficaram superlotadas. Por certo, a herança histórica foi o fator determinante para que a sociedade tupiniquim adotasse as rodovias, o que, consequentemente, aumentou o caos urbano. Diante disso, tornam-se passíveis de discussão os desafios enfrentados, diariamente, no que se refere à mobilidade urbana no Brasil.
O estímulo à compra de modais individuais não é uma invenção do século XXI: ainda no final da década de 1950, o governo de Juscelino Kubistchek criou uma política de governo que visava interligar o Brasil por rodovias. Ainda nesse mesmo caso, Kubistchek inaugurou concessionárias estrangeiras que visavam vender automóveis com preços bastante acessíveis. O problema disso tudo foi que a dimensão das rodovias, até então criadas, não acompanhou o crescimento da quantidade de automóveis, e isso se reflete nos dias atuais. Esse pensamento pode encaixar-se perfeitamente na alusão feita pelo geógrafo Milton Santos aos contrastes da mobilidade urbana no Brasil: enquanto o governo dá inúmeros incentivos para a compra de automóveis, o mesmo negligencia o arcaico espaço urbano tupiniquim. Dessa forma, o Brasil sobrecarrega, diariamente, a sua malha rodoviária.
Cidades superlotadas, engarrafamentos no trânsito e aumento do número de acidentes envolvendo automóveis. Muitas são as maneiras em que a mobilidade urbana se expressa no Brasil. Isso se deve à falta de modais de qualidade interligados - ônibus, trens e ciclovias, pois é por esse mesmo motivo que a população opta por utilizar meios de transportes individuais em detrimento dos coletivos e alternativos. Nesse sentido, um estudo do Instituto de Pesquisas da USP indica que um ônibus tem a capacidade de carregar a quantidade de pessoas equivalente ao de 55 carros. Assim, surge-se a necessidade de se revisar o papel do Estado frente a essa problemática.
Parafraseando o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo e necessita que seus órgãos estejam sadios para o pleno funcionamento. Tomando como norte a máxima do autor, para que a mobilidade urbana seja segura e de qualidade, são necessárias medidas concretas que tenham como protagonistas o Estado e os cidadãos. O Estado deverá investir no melhoramento da qualidade dos transportes públicos coletivos, com efeito, os cidadãos optarão por utilizar esses modais; os cidadãos deverão conscientizar-se acerca da importância da utilização de transportes alternativos - bicicleta e ônibus. Só assim, o Brasil construirá caminhos seguros para a efetiva mobilidade urbana.