Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Enviada em 11/04/2018

Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca da mobilidade urbana no país tupiniquim. A liberdade de locomoção é um direito fundamental expressamente assegurado pelo Artigo 5 da Constituição Federal de 1988. Contudo, cotidianamente, observam-se diversas falhas que impossibilitam ou dificultam a mobilidade no Brasil. Dessa forma, basta observar como o aumento de automóveis particulares e a falta de acessibilidade por deficientes atuam nessa problemática. Logo, compreender os aspectos que levam a esse cenário é fundamental para alcançar melhorias.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a péssima qualidade dos transportes coletivos colabora diretamente para o aumento incessante da frota de carros particulares no país. Nesse contexto, automóveis públicos sempre lotados, longo tempo de espera e passageiros andando sobre trilhos do trem após mais um pane atestam a atual conjuntura do país. Assim, a população tende a recorrer a veículos particulares, medida que aumenta o trânsito e promove engarrafamentos quilométricos. Para ratificar, segundo dados do DENATRAN, entre os anos de 2002 e 2012 a população cresceu 12%, enquanto a frota de automóveis aumentou 138%. Com isso, observa-se a necessidade iminente de aprimorar outras formas de transportes públicos.

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que a Lei do Deficiente assegura a promoção dos direitos fundamentais do cidadão com deficiência, como a mobilidade, visando à sua inclusão social e cidadania. Contudo, a dificuldade de locomoção que os portadores de necessidades especiais enfrentam além de desrespeitar o direito de ir e vir do cidadão colabora, também, na redução de independência do indivíduo. A carência de semáforos para cegos e surdos, rampas para deficientes físicos, ônibus adaptados e elevadores em trens e metrôs que possibilitam a acessibilidade para deficientes corroboram a negligência sofrida por essa parcela da sociedade. Dessa forma, as pessoas com algum tipo de deficiência não conseguem se locomover sem o auxílio de outras pessoas, assim como ficam vulneráveis a segregação, acidentes e males advindos do estresse.

Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual cenário negativo do país. Ao governo cabe investir na manutenção e acessibilidade dos transportes públicos, além de fiscalizar e averiguar o destino das verbas destinadas à acessibilidade, com a finalidade de garantir a reestruturação dos meios e viabilizar a cidadania e mobilidade. É imprescindível, também, que o Governo em parceria com os meios de comunicação realizem campanhas públicas que estimulem o uso de transportes alternativos, como a bicicleta, com o propósito de amenizar os engarrafamentos caóticos e os danos ocasionados ao meio ambiente devido a emissão de gases poluentes.