Os desafios da mobilidade urbana para pessoas com deficiência

Enviada em 07/10/2026

Jane Jacobs, em “Morte e Vida de Grandes Cidades” defende que uma cidade eficiente é aquela que possue diversidade urbana (produtos e serviços), interação social além de um planejamento centrado nas pessoas. Entretanto, a execução de tal planejamento não se mostra efetiva tendo em vista os desafios enfrentados por pessoas com deficiência ao se locomoverem pelo ambiente urbano, sendo os principais entraves: a ausência estatal e a negligência midiática.

Diante desse cenário, cabe analisar como a ausência estatal impacta no planeja-

mento citadino. Nesse sentido, cabe ressaltar que por não considerar a totalidade social (incluir tamém pessoas com deficiência) no planejamento urbano, o Estado torna-se responsável por exclusões sociais, evidenciadas por exemplo por ruas e calçadas sem sinalização, prejudicando cadeirantes e deficientes visuais. Diante do exposto, o filósofo Max Weber explica que, por ser organizado por um conjunto de burocracias que lentificam suas ações, o Estado torna-se ausente em diversos compos da sociedade. Desse modo, evidencia-se a relação entre a ausência estatal e a exclusão desses grupos minoritários no espaço urbano.

Ademais, deve-se discutir também como a negligência midiáticaimpacta nesse problema. Sob esse viés, o evidente desinteresse midiático em dar foco aos problemas enfrentados por pessoas com deficiência no meio urbano advem da busca incessante por audiência que incentiva a produção de conteúdo voltado para a maior parte do público e assim excluindo minorias, tal fenôme pode ser compreendido através do conceito da “economia da atenção”, que diz que há uma enorme quantidade de informação competindo pela atenção de poucas pessoas. Dado o exposto, evidensia-se a participação da mídia nessa problemática.

Portanto, cabe aos entes federativos democratizar o ambiente urbano para pessoas com deficiência. Desse modo, o Estado, por meio da Câmara dos Deputados, deveria propor leis que obriguem as prefeituras a sinalizarem suas ruas, com o objetivo de garantir acessibilidade para pessoas com deficiência ao meio urbano, a fim de fazer valer o direito constitucional de ir e vir e criar cidades mais inclusivas para todos.