Os desafios da mobilidade urbana para pessoas com deficiência

Enviada em 09/10/2026

Na obra ‘Quarto de Despejo’, de Carolina Maria de Jesus, evidencia-se a rotina de apagamento social e a desassistência institucional imposta aos indivíduos que ocupam as margens da sociedade. Fora da ficção, a realidade converge com o relato literário, haja vista os desafios da mobilidade urbana para pessoas com deficiência. Nesse contexto, esse impasse é alimentado tanto pela inoperância estatal quanto pela disparidade socioeconômica.

Outrossim, a inoperância do poder público atua como vetor desse entrave. Sob essa ótica, o geógrafo Milton Santos expõe que a omissão estatal reduz as garantias constitucionais a meras formalidades, dinâmica observada na falha do Estado em garantir a mobilidade urbana para as pessoas com deficiência. Isso ocorre porque a ausência de investimentos direcionados à área, como a falta de locais com rampas e piso tátil, gera vazios assistenciais que dificultam a locomoção. Assim, essa desassistência impede a consolidação do direito de ir e vir.

Em segunda análise, a disparidade socioeconômica sedimenta a permanência do problema. Nesse viés, segundo Jessé Souza, as estruturas sociais brasileiras produzem uma classe desprovida de reconhecimento público, visão observada na assimetria entre oportunidade e acessibilidade. Isso ocorre porque a escassez de investimentos em mobilidade inclusiva, priva as populações periféricas com deficiência do mercado de trabalho, reduzindo-as à dependência financeira. Essa realidade é evidenciada no transporte público precarizado, onde a ausência de rampas funcionais inviabiliza o deslocamento.

Portanto, faz-se necessário agir. Para tanto, cabe ao Ministério das Cidades combater os desafios da mobilidade urbana para pessoas com deficiência. Essa medida deve ser realizada por meio da destinação de verbas públicas para a criação de vias exclusivas para o público que necessita de acessibilidade, tal qual a adaptação do transporte público, com a inserção de rampas e elevadores funcionais. Com isso, será possível garantir dignidade a esse grupo, bem como combater o cenário da obra de Carolina.