Os desafios da mobilidade urbana para pessoas com deficiência
Enviada em 14/10/2026
A obra cinematográfica “O Extraordinário” apresenta a realidade de Auggie, uma criança com deficiência que enfrenta uma série de empecilhos, seja devido ao preconceito, seja pela falta de acessibilidade. Nesse sentido, é possível traçar um paralelo com os desafios da mobilidade urbana para pessoas com deficiência (PCDs) no Brasil, agravados pela negligência governamental e pela invisibilização.
Diante disso, é importante responsabilizar o poder público. No livro “O espaço dividido”, o geógrafo Milton Santos afirma que a maneira em que o meio é dividido reflete a hierarquia social a qual os indivíduos se enquadram. Sob essa perspectiva, a falta de acesso à mobilidade urbana que as PCDs enfrentam no Brasil contemporâneo apontam a omissão do Estado em relação a esse grupo, visto que a infraestrutura inclusiva - como calçadas regulares, rampas e pisos tatéis direcionais - é escassa nos centros urbanos. Por isso, esse cenário contribui para a falta de independência desses indivíduos.
Em outro viés, é necessário destacar as consequências da invisibilização dessa minoria social. O sociólogo brasileiro Jessé souza, na obra literária “A ralé brasileira”, discorre acerca da condição de “subcidadania” em que pessoas historicamente vulnerabilizadas são colocadas, as tornando invisíveis perante a sociedade. Sendo assim, as pessoas com deficiência são excluídas do convívio com os demais indivíduos devido a falta de consciência coletiva sobre os desafios e necessidades que esse grupo vivencia, fato que explica a baixa comoção da população acerca da mobilidade urbana precária nas cidades do país. Assim, essa marginalização perpetua a inacessibilidade de PCDs nos espaços urbanos.
Logo, é fundamental a elaboração de medidas para combater os problemas de mobilidade urbana no Brasil. Para isso, cabe às prefeituras - representantes do Poder Executivo no âmbito municipal - reforçar as manutenções periódicas da infraestrutura inclusiva, por meio da reorganização da verba disponível, para promover a inclusão de pessoas com deficiência. Além disso, o Ministério da Educação deve conscientizar as gerações futuras sobre os desafios e necessidades que esse grupo vivencia, a fim de mitigar a sua condição de subcidadania. Em última instância, busca-se melhorar a mobilidade urbana para as PCDs brasileiras.