Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 03/09/2025

O líder sul-africano Nelson Mandela afirmou que “depois de escalar uma grande montanha, só se percebe que há muitas outras a escalar”, destacando que o pro-gresso é um processo contínuo, cheio de desafios sucessivos. Sob essa ótica, a questão da valorização e definição da arte insere-se em um cenário preocupante no Brasil, pois, apesar de avanços pontuais, ainda persistem obstáculos que dificul-tam transformações estruturais. Portanto, é possível afirmar que essa problemáti-ca decorre, principalmente, da dificuldade em estabelecer uma definição universal do que é arte e da desvalorização de expressões artísticas contemporâneas.

Nesse viés, é essencial destacar que a ausência de uma definição unificada da ar-te atua como um fator determinante para a perpetuação do problema. Sob essa perspectiva, conforme o filósofo Immanuel Kant já havia apontado em suas refle-xões estéticas, a tentativa de estabelecer uma essência absoluta para a arte encon-tra barreiras, visto que cada movimento artístico rompe paradigmas anteriores. Di-to isso, observa-se que a estrutura cultural vigente ainda carece de medidas efica-zes, capazes de compreender a pluralidade artística em vez de reduzi-la a categori-as rígidas.

Além disso, é imprescindível destacar que a desvalorização de expressões artís-ticas urbanas, como o grafite, também contribui significativamente para o agrava-mento do cenário. Nesse contexto, episódios como o apagamento dos murais da Avenida 23 de Maio em São Paulo, durante a gestão do prefeito João Doria Jr., em 2017, refletem uma visão reducionista que restringe a arte a “lugares adequados”, ignorando sua dimensão política, social e popular. Então, mesmo após determina-das conquistas, é preciso reconhecer os novos desafios que se impõem, neste caso, a luta pela legitimidade de linguagens artísticas periféricas.

Portanto, é necessário que o Ministério da Cultura, por meio de políticas cultura-is, valorize e proteja todas as formas de arte, incluindo a urbana, a fim de democra-tizar o acesso à cultura. Além disso, escola e mídia devem estimular a consciência crítica e o respeito à diversidade artística. Assim, será possível enfrentar as “outras montanhas” apontadas por Mandela e avançar rumo a uma sociedade mais justa e igualitária.