Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 05/09/2025

A alegoria do mito da caverna, do filósofo Platão, exemplifica a ignorância das pessoas e a necessidade de buscar um ´´mundo real``. Essa analogia é a metáfora de indivíduos acorrentados e à merce da projeção de sombras. Nesse contexto, cabe também as dificuldades que o processo de produção artistíca enfrenta, que é urgente devido à desvalorização do arte e do artista.

Nesse sentido, a desvalorização da arte como um todo é ilustrado na visão do escritor e teórico da arte Ariano Suassuna, que diz que ela não é um produto do mercado, mas sim uma missão, vocação e festa. A exemplo disso, observa-se a organização de leis regidas pelo Estado que apresenta normas para combater pichadores e grafiteiros sem autorização, mas não cria políticas públicas para que eles se expressem. Essa inoporância estatal gera uma fragilidade em relação à arte como expressão do povo para o povo.

Ademais, é preciso lembrar que mesmo tendo uma rica herança cultural ligada à arte, o Brasil continua pobre em relação à valorização dos artistas. Em 1978, Chico Buarque, com a música ´´Cálice referiu-se ao ´´calar dos artistas que eram constantemente perseguidos e torturados por soldados militares, por publicar produções artísticas que criticavam as decisões governamentais. É possível relacionar esse período aos dias atuais, em que mesmo as pessoas não sendo torturadas, são impedidas, de maneira sutil, de praticar a arte. Esse impedimento se dá quando, ao invés de receber incentivo de se aprimorar de forma organizada, os artistas são chamados de vândalos.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar o cenário desafiador da produção artística no Brasil. Urge que o Ministério da Cultura adote medidas concretas, como políticas públicas para que os artistas amadores ou periféricos possam expressar sua arte de maneira sistematizada, e também que projetos sociais sejam criados para que todos cidadãos possam aprimorar ou pôr em prática o processo criativo da arte, a fim de que haja valorização dos artistas e de suas obras. Assim, será possível que o brasileiro possa ver o mundo com os próprios olhos, e não apenas sombras projetadas, como ilustrou Platão.