Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 05/05/2018

A Semana da Arte Moderna de 1922 foi um marco na representatividade do trabalho artístico brasileiro. Hodiernamente, quase 100 anos depois do movimento, entretanto, a desvalorização das artes é presente na sociedade e gera desafios em sua produção o que simboliza um retrocesso na história cultural do país. Nesse contexto, há dois fatores que devem ser levados em consideração no que tange a problemática: a falta incentivo financeiro aos artistas e a pouca abrangência do conteúdo na sociedade.

Em uma primeira análise, é válido salientar sobre os recursos insuficientes que os trabalhadores recebem para atuar no campo das artes. Embora haja iniciativas estatais como, por exemplo, a Lei Rouanet em que há o patrocínio de instituições privadas aos movimentos artísticos em troca de subsídios ficais, a verba não tem sido suficiente para beneficia-los em sua totalidade. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Cultura, apenas 35% dos projetos recebem o apoio. Dessa forma, fica evidente a necessidade do aprimoramento da lei para que essa possa abrangir um maior número de pessoas.

Outro aspecto a ser considerado é o restrito acesso e reconhecimento das artes por uma parcela significativa da população. Conforme pesquisas divulgadas pelo Jornal da Cultura, 42% do brasileiros não consomem cultura. Tal situação ocorre, entre outros fatores, devido à fatores econômicos e também a concentração dos espetáculos em grandes centros urbanos. É inadmissível que os cidadãos fiquem privados de algo que lhes é garantido na Constituição Federal de 1988 e contribui diretamente  para o seu fortalecimento intelectual e social.

A fim de que se reverta esse cenário preocupante e a arte possa ser mais valorizada na sociedade, portanto, é pertinente a atuação do Ministério da Cultura, juntamente ao Poder Executivo, na revisão da Lei de Rouanet e também no maior incentivo às instituições privadas em ajudar os projetos, como através de financiamentos coletivos na Internet organizados pelo órgão, soma-se a isso a a promoção de eventos gratuitos para a população em todas as regiões do país, por meio do uso de parte das verbas arrecadadas, contribuindo para o incentivo do contato entre a população e os movimentos. Espera-se que a arte brasileira possa fazer parte do cotidiano de todos e ganhe visibilidade, assim como na Semana da Arte Moderna.