Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 06/05/2018

Durante a permanência da corte portuguesa no território brasileiro, no decorrer do século XIX, o rei Dom João VI investiu em projetos artísticos, como a fundação da Academia de Belas Artes, a fim de criar um identidade nacional. Contudo, embora tenham ocorrido muitos avanços na arte brasileira, sua produção ainda sofre dificuldades na contemporaneidade. Nesse contexto, deve-se analisar como o Estado e a escola causam tal problema e como combatê-lo.

O governo é o principal responsável pelos obstáculos sofridos pelos artistas no país. Haja vista que, apesar de ser papel do Estado proporcionar meios de acesso e incentivar a formação cultural, consoante estabelecido pela Constituição Federal, esse destina uma quantidade de verba insatisfatória para os projetos, como exposições públicas de arte. Infelizmente, tal situação desmotiva parcela dos profissionais do ramo, os quais encontram na migração para o exterior a única forma de terem sua arte valorizada, provocando, dessa forma, um prejuízo para cultura brasileira. A telenovela da Rede Globo, “Cheias de Charme”, exemplifica esse fato ao mostrar a vida do grafiteiro Rodinei, o qual era constantemente marginalizado no Brasil, mas foi respeitado e apreciado na Alemanha.

Além disso, nota-se, ainda, que a Escola também dificulta a produção artística. Isso porque, ao invés de essa instituição promover uma educação crítica, conforme defendeu o educador Paulo Freire em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, essa busca apenas transmitir o conteúdo acadêmico, negligenciando, assim, o ensino consciente da arte para o aluno. Por conseguinte, formam-se indivíduos ignorantes e suscetíveis a praticarem preconceitos contra as manifestações artísticas. Parcela dos jovens da contemporaneidade, por exemplo, tendem a não adentrar em museus ou teatros e, quando o fazem, costumam fazer comentários pejorativos sobre a validade e importância da representação artística vivenciada.

Torna-se evidente, portanto, a iminência em cessar a problemática. Em razão disso, o Ministério da Cultura deve aprimorar os incentivos artísticos, por meio da criação de bolsas de estudos e exposições públicas, com o intuito de desenvolver novas manifestações e preservar a cultura do país. Ademais, o Ministério da Educação deve reformular o ensino da educação artística no ensino infantil, fundamental e médio, com o fito de promover uma instrução crítica e formar indivíduos mais conscientes. Dessa forma, será possível alavancar a produção artística no Brasil e mitigar os casos de preconceito, como os sofridos por Rodinei.