Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 06/05/2018
Antes mesmo que surgisse a escrita ou os idiomas, já havia arte. A primeira forma de comunicação do homem foi através de pinturas rupestres, na Pré-História. Nesse sentido, a produção artística apresenta inúmeras faces, funções e finalidades que vão além do que é visto, do concreto e da objetividade. Diante de tal perspectiva, é fundamental analisar aspectos culturais e sociais que dificultam a difusão da arte no país.
É importante salientar a questão educacional como fator fundamental para o entrave da produção artística. De fato, nota-se um déficit formacional em grande parte da sociedade ao entender algumas funcionalidades da arte que sejam diferentes dos conceitos mais comuns, como pintura, escultura, beleza e dança, por exemplo. É necessário embutir na formação social a compreensão das formas artísticas como meios de expressão, transmissão, exposição e diálogo a fim de estimular um senso crítico no homem para enxergar além do que é imposto pela indústria cultural de massa, que apenas busca aquilo que gera maior consumo.
Ademais a arte também é um reflexo da sociedade e da época, por exemplo o período do Realismo. Assim, o processo artístico apresenta-se como um instrumento político, de protestos, críticas e denúncias e, dessa forma, sendo alvo de preconceitos e discriminação. Percebe-se essa postura em relação a arte urbana que, na maioria das vezes, é reprimida, limitada e vandalizada por, geralmente, ser associada, pela mídia, aos marginalizados, porém ao chegar na Zona Portuária do Rio de Janeiro, o que encontramos é um recorde: o maior grafite do mundo. O que é vendido como vandalismo se transforma em ponto turístico.
Fica clara, portanto, uma falha formacional que gera implicâncias e rejeições sociais. A fim de que tal realidade mude, é necessário que as instituições de ensino, enraízem conceitos mais contemporâneos sobre a arte em todos seus sentidos, objetivos e subjetivos, através de projetos e pesquisas sobre diversas áreas do assunto que instiguem uma expansão e renovação de mentalidade. Além disso, cabe ao Ministério da Cultura investir em planejamentos, como feiras culturais que incentivem a população a se enturmar com inúmeras faces artísticas a fim de tornar a sociedade mais inclusiva e menos preconceituosa. Por fim, as famílias, como formadoras de valores morais e éticos, devem cultivar em seus meios o respeito ao próximo e ao seu espaço. Somente assim, a arte poderá ser, como na Pré-História, um meio global capaz de unir a todos de diferentes formas, mas com um único objetivo: a comunicação.