Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 06/05/2018

A Arte Urbana pautada, em geral, em críticas sociais, políticas e econômicas contesta a concepção platônica da arte como mera imitação de um mundo ideal. Por manter esse tipo de postura, a arte de rua enfrenta paradoxalmente o desafio principal de permanecer exposta no seu espaço natural de intervenção, o ambiente público.

Embora a cidade de São Paulo, por exemplo, seja internacionalmente reconhecida por sua arte urbana, os artistas desse segmento continuam a encarar situações de segregação promovidas pelo Estado. O atual prefeito paulista, joão Doria, recentemente declarou a necessidade de por o grafite em “lugares adequados”. Ao assumir tal perspectiva, ele, assim como outros governantes brasileiros, ignora a esfera pública das obras e minimiza ou tenta esconder o poder positivo da intervenção tanto estética quanto político-social  dessa arte. Segundo o artista Ítalo Pinto, conhecido como Ogai, o grafite convida o espectador que está no ônibus, no carro, na calçada a admirar a pintura e refletir sobre o mundo por meio dela.

Infelizmente, limitar a discussão proposta pela arte visual não é a única forma encontrada por alguns estadistas  para mitigar os efeitos dos movimentos artísticos politizados. Na cidade de Osasco, bem como ocorre em diversas outras regiões brasileiras, o poder público local tentou reprimir, por meio de monções de repúdio, um evento teatral ao ar livre, o “Mostra Cena Vermelha”, o qual visava trazer à tona questões essenciais à classe trabalhadora. Dessa forma, mais sutilmente do que fora durante a ditadura militar, as expressões da rua continuam a serem silenciadas.

Portanto, a fim de reduzir os entraves burocráticos que desafiam a exposição da arte urbana no país, as Organizações Não-Governamentais ligadas a produção cultural devem intervir cobrando dos legisladores ações legais como a adotada no município de Niterói. Essa permite que vários ambientes da cidade sejam formalmente listados como áreas grafitáveis. No mais, essas instituições, junto com os artistas, podem usar as redes sociais para a arrecadação de fundos voltados a promoção da arte na rua.