Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 07/05/2018

Desde o início da construção do território nacional brasileiro, preocupou-se com a produção artística, uma vez que a formação da identidade nacional está diretamente ligada à arte, que por sua vez está atrelada ao contexto histórico no qual se insere. No entanto, a elitização da arte, durante anos, reflete no atual desinteresse desta pela maioria da população, assim como, a desvalorização e o preconceito ao profissional dessa área de atuação.

A missão artística francesa no Brasil tinha a intenção trazer a arte, mas qual? A de uma elite europeia. Ainda hoje, muitos afirmam que a amplitude que o setor artístico recebe no Brasil é muito distante do que se presencia nos países europeus. Isso, ocorre pelo baixo investimento por partes de setores públicos e privados na questão cultural e artística no país. Porém, investir nesse setor não é recriar a produção artística alheia, mas valorizar e atentar para questões próprias que muitos artistas nacionais vêm buscando ao longo do tempo. A exemplo disso, são as obras dos grafiteiros em São Paulo, que sofrem discriminações e são associados a atos de vandalismo por diversos setores.

Embora, nas últimas décadas, tenha ocorrido uma expansão e democratização de cursos envolvendo setores artísticos em universidades públicas, ainda é uma área pouco interessada pela maioria dos estudantes na escolha de uma profissão para atuar no mercado de trabalho, pois muitas vezes esse profissional não é valorizado e o seu reconhecimento, na sua maioria, está vinculado à manifestação de uma classe detentora dos meios de comunicação. Dessa forma, a aceitabilidade de um músico, ator, ou ainda de um livro, irá depender da sua aparição nos principais canais comunicativos do país, sejam emissoras de TV, rádios e editoras.

Apesar da institucionalização do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC) com criação da lei Rouanet, muitos são os obstáculos por causa dos favorecimentos de circuitos privados e coleções particulares. . Em decorrência disso, é necessário que haja uma revisão e fiscalização da Lei visando a melhor utilização do dinheiro público, entretanto, apenas a participação do Estado compromete e inibe os movimentos culturais de cunho crítico e social.

Nesse sentido, ainda são muitos os desafios para que diversos tipos de produções artísticas no Brasil tenham uma posição de destaque na sociedade. Para isso, o Estado deve promover a acessibilidade de todos, independente de sua classe social ou renda, na participação de feiras, teatros e museus, por meio de incentivos fiscais na promoção desses eventos e com isso, baratear os custos para a população. Assim como, deve criar agências reguladoras, por meio de lei mais eficazes, para fiscalizar e regular a redistribuição de recursos destinados aos projetos culturais de forma igualitária.