Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 06/05/2018

Com o fim da Ditadura Militar na década de 1980, a liberdade de expressão voltou a ser garantida aos cidadãos brasileiros, e assim, diversas formas de manifestação artística voltaram a estar presentes no cenário nacional, como é o caso do grafite e da pichação. Infelizmente, com o passar dos anos, criou-se uma imagem marginalizada de algumas formas de arte, o que acabou prejudicando a total expressão de alguns artistas. Nessa perspectiva, os principais desafios da produção artística no Brasil são a criação de leis que a criminalizam bem como a censura de algumas exposições de arte com algum viés de criticidade ou com alguma polêmica a ela associada.

Em primeiro plano, pode-se afirmar que as variadas manifestações artísticas sempre estiveram atreladas a gostos e a preconceitos oriundos de uma sociedade que critica o diferente. Isso é visto não só nas produções, mas também nas escolhas profissionais de cunho artístico que, em uma organização capitalista, são vistas como improdutivas, no que diz respeito ao ganho financeiro. Esse preconceito característico às práticas de arte pode ser exemplificado pela Semana de Arte Moderna, ocorrida em 1922 no Brasil, onde diversos artistas modernistas brasileiros sofreram duras críticas por apresentarem expressões e temáticas distintas dos padrões artísticos já vistos, o que felizmente não retardou a movimento. Logo, é válido que o conceito de arte seja desmistificado por políticas educacionais, sanando qualquer forma de intolerância e desrespeito, tendo as produções culturais como vínculos educacionais.

Ademais, é preciso ressaltar a intolerância por parte do governo. Divulgado em todos os meios midiáticos, a polêmica que envolve os grafiteiros da cidade de São Paulo e o prefeito João Doria que proibiu os desenhos artísticos nas ruas paulistanas, é um exemplo disso. O prefeito alegou que deve haver um local restrito para que os grafiteiros possam expressar a sua liberdade artística que não seja as ruas, já que causa nesta a poluição visual. Entretanto, uma das finalidades da arte, como mesmo afirmou os especialistas do assunto, como os modernistas, é encantar os olhos e a alma, e não poluí-la como afirmou o prefeito.

Destarte, é fundamental que o Ministério da Cultura torne a arte de rua um patrimônio nacional a ser preservado, com o intuito de impedir que algumas obras sejam destruídas pelo fato do preconceito atrelado a elas, e por não possuírem a proteção adequada, como as que estão em museus. Ademais, é essencial que o Estado, na figura do Poder Executivo, analise o que é exposto nas exposições artísticas e determine a faixa etária a que ela é destinada, para que assim, ao invés de cancelarem os eventos, criem-se públicos adequados para apreciarem aquele tipo de arte.