Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 06/05/2018

A arte em forma de expressão humana

É fato que o aspecto indentitário de um povo provém majoritariamente de sua cultura. Nesse contexto, no entanto, é incontrovertível que se instala, primordialmente, em nações intertropicais e sob pretextos civilizatórios – verdadeiramente político-econômicos -, a aculturação atrelada à urbanização. Assim, são reflexos hodiernos desse processo, desvalorizações e isolamentos culturais, que podem e devem ser amenizados por meio da inclusão.

Neste sentido, diversas ocorrências históricas evidenciam inferiorizações predatórias em variados âmbitos, podendo ser citadas as Cruzadas, a corrida imperialista do século XIX e a Guerra Fria, estas últimas com repressões político-sociais no cenário brasileiro. De maneira análoga, a história da arte ensinada nas escolas brasileiras configura-se eurocêntrica, desestimulando o reconhecimento de uma identidade própria, sobretudo, positiva. As manifestações artísticas no Brasil contemporâneo refletem, de fato, essa concepção no momento em que são censuradas as artes urbanas advindas, essencialmente, da expressão cultural das mazelas brasileiras, por intermédio da prática do grafite.

A repulsa sobreposta diante da arte contemporânea em questão no cenário nacional, sustenta o pensamento classicista consolidado no discernimento da maioria da população, em que as manifestações somente são consideradas arte não só quando relacionadas ao filósofo alemão Kant - entre o belo e o sublime -, bem como quando expressam somente a visão eurocêntrica de mundo. Mediante tais barreiras, é inegável que o conhecimento de outrem diante da valorização da própria cultura artística torna-se escasso. De maneira geral, o entendimento primordial deve-se girar em torno das diferenças existentes entre os atos de pichação e grafite, à medida que um é expressado de forma visualmente agressiva, o grafite, respectivamente, é de maior interesse estético, além de ser aceito socialmente como forma de arte contemporânea e logo, estimulado pelo Poder Público brasileiro.

Destarte, conforme ações de valorização da própria cultura de expressão artística forem realizadas, reações de mesma intensidade referentes às ideologias diferentes serão evidenciadas, trazendo concórdia. Portanto, é imprescindível que a educação inicial estimule o reconhecimento positivo de suas raízes nos estudantes, por meio de eventos de práticas de arte contemporânea e idas à museus específicos, além de aulas direcionadas à arte. Outrossim, deve-se promover, no meio de comunicação, as facetas da expressão artística, com incentivo à tolerância, evitando processos refratários. Com ênfase, a educação é a base e deve ser priorizada, pois previne a problemática em gerações vindouras uma vez que, segundo Kant, “o ser humano é o que a educação faz dele”.