Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 07/05/2018
No arcadismo, último movimento literário do período colonial brasileiro, no século XVIII, os inconfidentes transpassavam por meio de sua arte os anseios sociais que ilustravam aquele momento. Era um período conturbado, em que os ideais iluministas guiavam esses artistas pela independência da colônia. O fim da história foi triste para os envolvidos, que acabaram sendo mortos ou exilados por contrariar a metrópole por meio da arte. Na contemporaneidade, a arte ainda é um meio potencial e eficaz quando se trata de modos de dar forma à sociedade. Porém, ao se disporem a produzir, os artistas encontram diversas barreiras.
Em primeiro estudo, vale a pena analisar as perspectivas socioculturais que circulam esse tema. É indubitável que a grande massa apresenta um enorme preconceito contra a classe artística, uma vez que não os consideram profissionais reais do ponto de vista do mercado que move a economia brasileira. Com efeito, essa visão equivocada está linearizada à decadência do ensino público ofertado pelo Governo. Desse modo, o cidadão não possui um alicerce educacional que o ajude a entender a importância da arte para um país e a sociedade que ali toma forma; por conseguinte, não desenvolvem um senso crítico aguçado que os auxiliem na interpretação das diversas formas de produção que refletem, não só a população como um todo, mas também aquilo que é almejado para o futuro.
Outrossim, há uma parcela que foi privilegiada e que detém meios para ter acesso a arte e suas inúmeras vertentes. Entretanto, a coletividade brasileira é altamente segregada e seletiva, ou seja, as classes mais abastadas discriminam o que sintetizado por camadas menos favorecidas. O melhor cenário para exemplificar essa situação é o funk, um estilo musical que é culturalmente ligado à população periférica. Todavia, pelo teor mais sexual e menos refinado é mostrado como uma forma de “antiarte” por aqueles que não apoiam a disseminação da tendência. Contudo, é um movimento legítimo, visto que apresenta a realidade vivida em espaços menos assistidos de direitos básicos.
É evidente, portanto, que artistas encontram empecilhos e que medidas devem ser tomadas. Destarte, o MEC deve alterar o currículo comum equiparando a disciplina de artes e história da arte ao português e a matemática, logo, terão a mesma carga horária. Tomando-se essa medida se tornará mais viável o entendimento da arte e sua importância dentro e fora do ambiente escolar. Como também, as secretarias municipais deverão garantir que campanhas artísticas socioeducativas sejam criadas e tenham o máximo alcance, tais campanhas poderão ser disseminadas de acordo com os principais meios de comunicação de cada região. Assim a educação poderá ser isonômica e não existiram mais crimes contra a liberdade de expressão como na inconfidência mineira e na música periférica.