Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 07/05/2018
Arte como profissão e preconceito
As dificuldades que ainda hoje são enfrentadas por todos aqueles que querem fazer da expressão de arte , qualquer que seja, uma profissão tem raízes profundas na construção da sociedade brasileira.O preconceito com que se rotulou e se rotula o artista (de que é preguiçoso, vagabundo, desocupado, e para as mulheres de que é coisa de mulher da vida) já fazia parte da estrutura pragmática da gente do açúcar da colônia que tinha como coisa de selvagem ou inferior a cultura e saberes tanto do índio quando do escravo africano.
E essa visão perdurou nos séculos seguintes, haja vista que aqueles que se dedicavam à literatura, música, escultura,pintura,etc,faziam parte de famílias abastadas e nestes casos se davam ao luxo de se dedicar a uma atividade inglória e , para ter um porto seguro ou agradar seus familiares, estudavam direito,engenharia, medicina, alguma carreira de pessoa séria e homem de bem.
Vem a Lei Áurea, a República, século XX, cultura de massa e a visão mudou ? Não, necessariamente. O artista profissional no Brasil do século XXI precisa de lei e incentivo do Estado para levar seu projeto adiante, o que nem sempre é possível ou suficiente, e ainda enfrenta preconceito quando faz seu grafite e não uma ilustração aprimorada em uma escola de Belas Artes. A forma com o prefeito de São Paulo tratou o assunto do grafite nos muros da cidade é exemplo da visão arcaica do artista brasileiro e da arte e de onde ela deve estar.
Definir arte é difícil e subjetivo, mas o fazer artístico como profissão tem regulamentação assegurada em lei, já o preconceito tem de ser combatido por toda a sociedade. O papel da escola é fundamental no esclarecimento das atividades artísticas profissionais,mas sem dúvida o Estado possui o dever de incentivo, defesa, divulgação, esclarecimento e valorização do fazer artístico.