Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 08/05/2018
No segundo semestre de 2017, algumas mostras culturais foram alvos de intensos protestos no Brasil, como a exposição Queermuseu, em Porto Alegre, e a performance La Bête, em São Paulo. Diante desses acontecimentos, o papel da arte e sua dificuldade de maior expansão tornaram-se foco de análises e discussões no país. Nesse contexto, é importante discorrer sobre a persistência histórica de supressão e o atual cenário de polarização política como limitadores da livre expressão artística e cultural.
Primeiramente, cabe dizer que é comum o ataque à arte quando esta produz um conteúdo divergente das crenças e interesses de grupos dominantes. Esse processo é observado desde o século XVI e se mantém até hoje. Primeiro, a manifestação artística de índios e negros foi sufocada; depois, o Estado Novo e a Ditadura Militar se encarregaram de tolir a produção da arte no país; agora, setores ultraconservadores da sociedade civil tentam reproduzir essa ofensiva a conteúdos os quais, na palavra destes, “ferem os bons hábitos e a moral cristã”. Desse modo, como em um looping temporal, vemos a restrição da liberdade cultural se manter, mesmo após a dita “Constituição Cidadã”.
Além dos empecilhos impostos por alguns grupos dominantes, também ameaçam a livre expressão e consumo artístico brasileiro questões políticas. Essa relação pôde ser observada em 2017. Em primeira análise, vemos que os “ataques” dirigidos aos eventos em Porto Alegre e em São Paulo foram organizados por simpatizantes da direita, enquanto a defesa partiu de setores mais à esquerda. Já em outubro do referido ano, estudantes identificados com a esquerda tentaram impedir a exibição de um documentário o qual abordava ideias do filósofo conservador Olavo Carvalho na Universidade Federal de Pernambuco. Assim, percebe-se o prejuízo à arte gerado por ideologias políticas.
Fica claro, portanto, que a livre manifestação artística encontra obstáculos no Brasil desde os primeiros anos deste e continua sofrendo limitações. Diante disso, instituições de ensino e Ongs devem unir-se para mitigar os efeitos dessas restrições. Com esse objetivo, escolas e universidades podem abrir seus espaços e calendários para que Ongs de arte e cultura promovam eventos mensais de divulgação de seus trabalhos e incentivo ao fazer artístico por alunos e qualquer outra pessoa disposta. Isso pode ser feito mediante organização de gincanas e atividades em grupo relacionadas à produção cultural, além de convites para que alunos e convidados conheçam seus espaços. Dessa forma, será possível criar um contato mais estreito com a arte e afastado de estereótipos e polarizações.