Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 09/05/2018
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana de pessoas que vivem da arte, as quais buscam ultrapassar as barreiras as quais as separam do direito de reconhecimento da arte como um trabalho. Nesse contexto, não há dúvidas de que artistas são vistos de forma marginalizada perante a sociedade, infelizmente, não apenas devido à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.
Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que a oferta não apenas de projetos direcionados à intervenções artísticas, como também a falta de centros que disponibilizem a comunidade cursos voltados a integração da arte. Além disso, é notório a carência de políticas que incluem no âmbito educacional, principalmente no que diz respeito ao ensino público, um estudo mais aprofundado da história da arte, fazendo com que estudantes fiquem apenas com as superficialidades para a realização de provas.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência de indivíduos que a partir da arte obtém o seu sustento. Infelizmente, a existência da discriminação contra artistas, principalmente aqueles que encontram nas ruas uma forma de disseminar o seu talento, é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. O renomado geógrafo Milton Santos dizia que uma sociedade alienada é aquela que enxerga o que separa, mas não o que une os seus membros, algo que se evidencia na desvalorização desses artistas.
Fica evidente, portanto, que é fundamental a mitigação dos desafios da produção artística no Brasil. Para que isso ocorra, o Poder Legislativo, deve reformular o PRONAC (Programa Nacional de Apoio a Cultura), criando incentivos à intervenções artísticas, dando uma maior visibilidade a essa área. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, reestruturar a disciplina de história da arte, fazendo com que escolas passem a realizar aulas mais temáticas e expositivas, buscando a valorização da arte e assim fazer com que a comunidade escolar e a sociedade no geral - por conseguinte - passe a enxergar a arte com olhos menos hostis e preconceituosos.