Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 20/05/2018

A concepção de arte ao longo da humanidade sofreu diversas modificações no que tange à sua essência. Em relação ao Renascimento, percebe-se que o intuito primordial das obras centrava-se na antiga mimese defendida por Aristóteles, tal qual o objetivo era alcançar a perfeição helenística das formas. No decorrer dos séculos, sob outro viés, ascendeu a chamada arte contemporânea, que, no tocante ao seu âmago, rompeu com as produções artísticas precursoras ao pautar-se no conceitualismo. Essa inovação, por quebrar paradigmas previamente enraizados, trouxe consigo muitas polêmicas. Dessarte, para entendê-las, faz-se necessário analisar a conjuntura que levou à sua não compreensão, bem como a forma como tal atua no meio social hodierno.

É sabido que o período a partir do século XX foi extremamente marcado por profundas mudanças históricas, como por exemplo a instauração da ditadura militar no ano de 1964 no território brasileiro. Tal fase, cunhada de um aspecto substancialmente autoritário,suprimiu diversas manifestações da arte por meio da censura. Analogamente, embora na atualidade o país viva sob uma democracia, é possível perceber que, convenientemente, ao tratar certas ramificações artísticas como extravagantes e, por conseguinte, incompreensíveis, aquele que o faz, intencionalmente, busca restringir o poder militante que essa arte possui, assim como fora feito décadas atrás.

Nesse sentido, da mesma forma como defende o exímio músico Caetano Veloso, a arte em si é uma expressão universal capaz de influenciar todas as classes e idades e, por isso, é vista como uma ferramenta emponderadora. Camadas minoritárias puderam ver por meio do funk e do grafite, por exemplo, oportunidades de alcançarem visibilidade e assim fazer valer as suas condições como cidadãos.

Portanto, mediante esse quadro, medidas são necessárias para sanar essa problemática. Para tanto, é essencial que o Ministério da Cultura em parceria ao sistema legislativo estabeleça sob forma de emenda constitucional que a arte é uma ferramenta de caráter identitário nacional, não sendo cabível, portanto, limitações. Somente assim, então, será possível contornar este desafio.