Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 10/08/2018

O Dadaísmo, vanguarda europeia de grande repercussão no período modernista, configurou amplitude nas expressões artísticas da época ao expor a subjetividade das criações e o seu impacto no coletivo. Com efeito, no século seguinte, a arte urbana continua a instigar tal caráter, uma vez que prioriza críticas sociais por meio da grafitagem e da pichação. Nesse cenário, entretanto, a falta de visibilidade e entraves políticos constituem barreiras para o avanço de supracitada manifestação cultural.

Em primeira análise, é mister a compreensão de que a arte de rua é pouco compreendida em sua essência. Em síntese, sabe-se que a pichação é considerada, por muitos cidadãos, análoga ao vandalismo, o que implica mínima apreciação popular à essa demonstração artística. Além disso, por representar uma inovação ao mundo da arte, pois surgiu em meados de 1980, a grafitagem ainda não contempla espaço na contemporaneidade, por isso não é enaltecida. Assim, apesar de pouco prestígio, os muros e as paredes pichadas ainda constituem imprescindível função na sociedade.

Ademais, não há como negar que o grafite é uma expressão da modernidade social. Em decorrência disso, o filósofo Friedrich Nietzsche afirma que a “arte existe para que a realidade não nos destrua”. Desse modo, os grafiteiros exploram tópicos críticos com a finalidade de obter visibilidade e planificar os impasses do Brasil. Com isso, enfrentam imposições políticas e judiciárias, haja vista que há a criminalização da arte urbana em casos de exibições não autorizadas, como observou-se em 2017 na capital paulista, episódio o qual o prefeito da cidade mandou pintar os muros, antes ocupados por grafite, contudo, isso gerou repercussão negativa pelos representantes das manifestações. Nada disso, porém, seria tão prejudicial ao avanço cultural e artístico se os órgãos públicos e o corpo social trabalhassem conjunto.

Fica clara, portanto, a necessidade de medidas as quais valorizem todas as formas de atuação expressiva. Para tal objetivo, o Ministério da Cultura precisa investir na criação de ateliês especializados na produção da arte urbana, com apoio de professores de artes que estejam aptos a ensinar e descobrir a potencialidade dos artistas, a fim de ampliar o arsenal artístico do país e dar respaldo a esses indivíduos. Em consonância, os cidadãos devem pressionar as prefeituras locais a liberarem diferentes espaços para a pintura com grafite, mediante a apresentação prévia do projeto a ser realizado pelo grafiteiro, para que a arte contemporânea possa alcançar, mesmo ao meio de críticas, o ápice de sua popularização, assim como fez o modernismo.