Os desafios da produção artística no Brasil
Enviada em 19/08/2018
A arte, em seu status quo, traduz-se como uma forma pela qual o ser humano expressa suas visões de mundo de forma livre. Entretanto, os enclaves gerados em relação às divergências no que tange aos conceitos de arte e ao valor que deve ser dado às produções artísticas têm gerado dificuldades no desenvolvimento desse setor no Brasil. Dentre os dilemas associados, destacam-se a questão dos grafites e pichações e o baixo investimento governamental destinado à cultura.
Em primeira análise, para muitos ocidentais o conceito de arte limita-se ao erudito e a tudo que remete às produções dos períodos grego clássico e helenístico. Diante disso, outras formas de produção artística, como grafites e pichações, são confundidas com vandalismo ou uma forma de sujar a cidade, o que levou o governo Doria a reprimi-las e limitar um espaço para elas. Todavia, esse preconceito, duramente criticado por Duchamp ao expor um mictório em um museu à revelia dos cânones artísticos adotados pela sociedade, traz como consequência a invisibilidade desses artistas e esconde, hipocritamente, uma realidade que faz parte das cidades: os guetos e a marginalidade.
Outra problemática em relação à arte no Brasil é a desvalorização institucional da cultura. Com isso, diante de um cenário de crise econômica, o governo Temer promoveu um corte de 43% nesse setor, o que representa não só o desincentivo ao artista como também o desprezo aos valores edificantes que a cultura promove na sociedade. A título de exemplo, muitas comunidades carentes têm nos projetos culturais, patrocinados pelo governo, uma forma importante de não canalizar as potencialidades dos jovens para a criminalidade. Além disso, esses cortes também inviabilizam o desenvolvimento dos pequenos artistas, que não contam com o patrocínio das grandes produtoras, o que reduz a diversidade.
Evidenciam-se, por conseguinte, desafios significativos para a produção artística nacional. A fim de promover uma maior aceitação da arte urbana pelos setores conservadores, o Ministério da Cultura deve promover uma campanha educativa acerca da importância da visibilidade social pela arte por meio de propagandas e da reprovação de medidas radicais dos governos locais. Assim, as cidades poderão imprimir em seus muros sua diversidade. Ademais, a fim de incentivar os projetos artísticos, o Governo Federal deve atenuar o corte no setor por intermédio de uma reavaliação orçamentária. Com isso, as comunidades poderão manter seus projetos e converter futuros marginais em grandes artistas.