Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 29/06/2019

A Semana da Arte Moderna de 1922, ocorrida em São Paulo, buscou - por meio de novas ideias e conceitos artísticos - uma identidade própria e nacionalista. No entanto, o desejo modernista permaneceu no passado, haja visto os desafios da produção artística no Brasil hodierno. Com efeito, nota-se um cenário deplorável que persiste ligado à valorização do estrangeiro e à elitização da arte.       Em primeiro plano, é importante destacar que segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é suscetível à influência estrangeira. A esse respeito, considera-se que a nação tupiniquim foi formada pela supervalorização do externo, em detrimento do local. De maneira análoga, a canção “From United States of Piauí”,do compositor Gonzaguinha, retrata bem essa extrema significação das criações estrangeiras e o esquecimento das raízes. Logo, é evidente que a produção artística regional é deixada de lado,até pelos próprios brasileiros, o que prejudica toda cultura nacional.

Por outro plano, as principais características do Parnasianismo, escola literária do século XIX, são a linguagem rebuscada, rimas ricas e a leitura limitada a uma classe dominante. Assim, tal período assemelha ao conceito de arte imposto no país, a qual reflete um ideário excludente e elitizado. Sob esse viés, ocorre que muitos indivíduos consideram arte apenas o que foi ou é produzido por artistas de renome e que se encontram em lugares restritos, como museus e galerias. Tal realidade fica comprovada pela ação do então prefeito da época João Doria, que anunciou o fim dos painéis da avenida 23 de Maio - conhecidos por seus grafites coloridos - como parte do programa “São Paulo Cidade LINDA” . Diante disso, enquanto as expressões artísticas continuarem restritas a uma classe dominante, as novas artes continuaram negligenciadas.

Mediante aos fatos expostos, como um organismo que depende dos seus linfócitos, a produção artística brasileira necessita de mecanismos defensórios. Sendo assim, é mister que o poder estatal, na imagem do Ministério da Educação, inclua, a partir de projetos de lei, ensinamentos de valorização cultural e cidadania na grade curricular escolar, de modo a construir uma consciência hoje deficiente. Ademais, influentes digitais, mediante suas visualizações e seus discursos nas redes sociais, competem informar ao público a importância da democratização artística, com o objetivo de mitigar o conceito excludente da arte. Somente assim, as produções artísticas terão seu espaço no Brasil.