Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 04/09/2019

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi marcada pela ruptura com o tradicionalismo acadêmico do período, inovando o âmbito de produção da arte no Brasil. No entanto, hoje, esse cenário de revolução e criação artística apresenta desafios para existir, os quais estão relacionados, sobretudo, ao reconhecimento social e ao escasso financiamento das produções. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados com o escopo de superar tais adversidades.

Inicialmente, ressalta-se o termo “violência simbólica”, do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Consoante esse pensador, na sociedade naturalmente existe o prestígio de determinada cultura em detrimento de outras. Nesse sentido, percebe-se essa situação no contexto brasileiro, na medida em que expressões culturais, como o funk ou o grafite, são desqualificadas ou não são reconhecidas socialmente como arte. Em face disso, nota-se que artistas e indivíduos que querem assumir arte como ofício são desestimulados para realização de manifestações inovadoras, as quais destoem do ideal predominante, desfavorecendo, assim, a diversidade cultural no país.

Outrossim, é válido destacar que no período do Renascimento Cultural o mecenato, caracterizado como o financiamento de burgueses para atividades artísticas, era amplamente praticado, o que corroborou a produtividade cultural na época. Entretanto, essa conjuntura perdeu-se ao longo dos anos e hoje é um dos fatores que dificultam a realização artística, tendo em vista que é custoso a locação de espaços ou a aquisição de materiais para a produção efetiva da arte. Soma-se a isso, o descrédito da população em participar desses processos, frequentando exposições ou peças teatrais, por exemplo. Com isso, percebe-se cada vez mais a  desvalorização cultural no país, o que enfraquece bases necessárias de identidade e de afirmação social.

Destarte, é essencial modificar esse contexto desafiante para atividade artística nacional. Para tanto, é impreterível que a escola amplie o entendimento dos jovens diante das múltiplas formas de arte, por meio de mais aulas de Arte e Cultura, as quais abordem e estudem manifestações marginalizadas socialmente, com o fito de modificar o estigma cultural existente na sociedade e viabilizar uma maior diversidade nesse âmbito. Concomitantemente, é imprescindível que as empresas privadas associadas ao Ministério da Cultura financiem artistas nacionais nas suas atividades, a fim de aumentar as possibilidades da arte brasileira.