Os desafios da produção artística no Brasil

Enviada em 22/09/2019

“Ordem e Progresso”. Por mais de um século esse tem sido o lema da nação brasileira. Escrito no céu estrelado da Bandeira Nacional, o ideal desse bordão traz um claro significado de prosperidade. No entanto, quando se observam os desafios da produção artística no Brasil, é possível notar que os princípios desse slogan não correspondem com a realidade atual do país. Nesse contexto, a má gestão do Estado, associada ao egoísmo ditatorial dos governantes, é a principal causa dessa problemática.       Em primeiro lugar, é importante destacar que os desafios da produção artística no Brasil evidenciam a ineficiência administrativa do Estado. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma em sua obra “Modernidade Liquida”, que algumas instituições governamentais perderam sua função social e se configuram atualmente como “instituições zumbis”. Essa metáfora proposta por Bauman serve para demonstrar que algumas instituições públicas são incapazes de desempenhar seu papel no contexto social e acabam por não cumprir com os direitos fundamentais da população. Assim, a fragilidade das ações do Governo colabora com a falta de incentivo em relação ao meio artístico, e milhões de pessoas sofrem com essa incompetência estatal.

Ademais, é válido frisar que, além de ineficiente, o Estado também age como um “ditador” em relação a liberdade de expressão concedida pela arte. Prova disso, foi a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que considerou inconstitucional a lei que permitia apresentações artísticas em trens, metrôs e barcas no estado. Tal decisão revela o egoísmo dos governantes que regem o poder público, haja vista que não se interessam com as necessidades do povo, tampouco com a valorização da arte, mas trabalham apenas em prol de suas próprias vontades. Sob essa ótica, é possível perceber o quão certo estava o poeta e pensador Oscar Wilde, que defendeu que egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam da forma que nós queremos.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. Para acabar com o egoísmo limitador da liberdade, cabe aos representantes políticos trabalharem em favor da população e o empenho em elaborar medidas para valorizar a produção artística no país. Assim, urge que o Ministério da Cultura crie, por meio de verbas governamentais, políticas de incentivo e valorização da arte, a fim de garantir a expressão da cultura brasileira. Tais políticas podem ser concebidas com a contratação dos artistas de rua, e a garantia da liberdade de atuarem em locais públicos para que possam manter o seu sustento. Dessa forma, o Estado se mostraria eficiente nessa luta e o ideal do bordão escrito na Bandeira Nacional seria alcançado.